Julio Cortez/AP
Julio Cortez/AP

Bombas encontradas no dia do ataque ao Capitólio teriam sido plantadas na noite anterior, diz jornal

Artefatos foram colocados nas sedes dos comitês nacionais republicano e democrata

Redação, The Washington Post

29 de janeiro de 2021 | 19h19

WASHINGTON - Duas bombas encontradas nas proximidades do Capitólio dos Estados Unidos pouco antes da invasão do edifício foram plantadas na noite anterior, diz o jornal The Washington Post citando um agente familiarizado com a investigação e imagens de um vídeo ao qual teve acesso.

Os artefatos explosivos foram colocados nas sedes dos comitês nacionais republicano e democrata. Encontrar o responsável é uma das prioridades das autoridades federais, que na semana passada aumentaram de US$ 50 mil (aproximadamente R$ 270 mil) para US$ 75 mil (aproximadamente R$ 405 mil) a recompensa por denúncias que possam levar à prisão do envolvido. 

O FBI disse que seus agentes estão "usando todas as ferramentas" para solucinar o caso. Mais de mil residentes e proprietários de empresas do bairro onde as bombas foram encontradas passaram por entrevistas. Na manhã desta sexta-feira, 29, o FBI divulgou informações adicionais que confirmaram a apuração do Post e aumentou a recompensa oferecida para US $ 100 mil (aproximadamente R$ 540 mil).

O Post conversou com residentes, administradores de propriedades e proprietários de empresas nas proximidades do ataque e obteve um vídeo exclusivo do suspeito momentos antes de ele plantar uma das bombas em um beco atrás do Comitê Nacional Republicano, a uma quadra do Capitólio.

Em 5 de janeiro, às 20h13, uma câmera de segurança captou o suspeito carregando uma mochila, de acordo com um morador que revisou a filmagem e forneceu uma cópia ao FBI. O suspeito estava caminhando para o leste na C Street SE, indo em direção a uma entrada para um beco que fazia uma curva em direção ao prédio do Comitê Nacional Republicano. O Post não obteve essa filmagem, mas confirmou o relato do morador com um policial familiarizado com a investigação.

Segundos depois, no vídeo obtido pelo Post, o suspeito pode ser visto no beco, conhecido como Rumsey Court. Ele está vestindo um moletom de cor clara e carregando uma mochila perto da cintura, combinando com as fotos que foram divulgadas pelo FBI, e caminha para o oeste, passando por uma fileira de casas. Acredita-se que o suspeito estivesse andando em direção à área atrás do prédio do Comitê Nacional Republicano e do Capitol Hill Club para colocar o artefato explosivo, de acordo com o funcionário familiarizado com a investigação, que falou sob condição de anonimato.

Outro vídeo mostra o suspeito carregando uma mochila perto da cintura enquanto se aproxima da área onde a bomba foi descoberta em 6 de janeiro. Ele parece estar usando máscara e luvas. De acordo com o oficial, esta é a última aparição do suspeito antes da colocação da bomba.

Imagens estáticas retiradas deste vídeo foram usadas por funcionários federais para pedir ao público informações sobre o suspeito.

Outro vídeo obtido pelo Post mostra o suspeito refazendo seus passos em Rumsey Court às 20h16, novamente caminhando na direção oeste em direção ao edifício RNC. Ele se movia em um ritmo acelerado e ainda carregava uma mochila.

Um minuto depois, o suspeito é visto caminhando em direção ao leste em Rumsey Court - longe da área onde a bomba foi descoberta. Ele ainda estava usando a mochila nas costas.

A mesma pessoa é suspeita de colocar a bomba no prédio do Comitê Nacional Democrata, de acordo com o FBI. Não está claro qual bomba foi colocada primeiro. Na sexta-feira, o FBI divulgou a imagem de um dos artefatos. A agência descreveu uma característica do suspeito: ele usava um tênis Nike Air Max Speed ​​Turf amarelo, preto e cinza. As bombas teriam sido colocadas entre as 19h30 e 20h30 no dia 5 de janeiro.

Barry Black, um agente do FBI especializado em bombas aposentado, disse que as fotos dos dispositivos sugerem que eles eram simples e os componentes visíveis eram comuns e facilmente encontrados. Black disse que os dispositivos pareciam incorporar temporizadores mecânicos como interruptores e  não viu nenhuma indicação nas fotos de qualquer outro mecanismo de acionamento.

Black disse que o indivíduo poderia estar tentando matar ou ferir, ou poderia simplesmente querer "enviar uma mensagem" visando os dois maiores partidos políticos do país. Steven Sund, que renunciou ao cargo de chefe da Polícia do Capitólio após o tumulto, disse suspeitar que as bombas foram um esforço intencional para afastar os oficiais das imediações do Capitólio.

A bomba por trás do RNC foi descoberta em 6 de janeiro por volta das 12h45, cerca de 90 minutos antes de os manifestantes entrarem no Capitólio. A residente Karlin Younger estava indo para a lavanderia quando avistou algo incomum no chão, entre uma lixeira e uma ratoeira. Younger disse em uma entrevista que se abaixou para inspecionar o dispositivo, que estava conectado ao que parecia ser um cronômetro de cozinha. O cronômetro estava ajustado para 20 minutos, disse ela.

Ela não ouviu nenhum tique-taque e não soube dizer se o cronômetro estava ativo. Younger alertou um segurança nas proximidades, que inspecionou o artefato e então notificou as autoridades.

O dispositivo foi considerado "vivo", o que significa que continha material explosivo viável, de acordo com Steven Blando, porta-voz da Divisão de Campo de Washington do Bureau de Álcool, Tabaco e Armas de Fogo. Foi desarmado no local.

Por volta de 13h15, disseram as autoridades, a segunda bomba foi descoberta a vários quarteirões de distância, ao lado de um banco fora da sede do Comitê Nacional Democrata. Ele também foi desarmado no local, disse Blando.

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