Bombas matam 34 no Iraque; premier promete reprimir atos

Num dia em que quatro explosões mataram pelo menos 34 pessoas em Bagdá, o primeiro-ministro Nuri Al Maliki prometeu não permitir que os militantes encontrem abrigo na capital iraquiana. A declaração foi dada depois de uma nova onda de violência sectária, nesta quinta-feira.Um carro-bomba explodiu no bairro comercial de Karrada, no centro da cidade, matando 26 pessoas e ferindo 64, segundo fontes policiais. Em outros mercados, um carro-bomba e uma bicicleta-bomba mataram 5, e em outro ponto um explosivo deixado numa calçada fez três vítimas fatais, de acordo com as autoridades.Além disso, dois foguetes caíram na protegida Zona Verde, onde funcionam os principais órgãos do governo. Pelos alto-falantes, as pessoas receberam orientação para se abrigar.Em discurso no Parlamento, Maliki pediu a políticos de todas as facções que apóiem seu plano de segurança, a ser realizado com a ajuda de um reforço de 17 mil soldados que serão enviados dos EUA para o Iraque."Não haverá lugar seguro - escola, casa, mesquita [sunita] ou mesquita xiita. Elas serão invadidas se forem transformadas em base de lançamento para o terrorismo, mesmo as sedes dos partidos políticos", afirmou.Segundo ele, as ações de segurança já estão surtindo efeito. "Sei que importantes criminosos fugiram de Bagdá, outros fugiram do país, e isso é bom, mostra que nossa mensagem está sendo levada a sério".Maliki afirmou ter se empenhado em colocar oficiais sem afiliação política à frente da operação, para evitar acusações de que estaria beneficiando os xiitas, que agora controlam o governo, contra a minoria sunita.Bahaa Al Araji, dirigente de um partido ligado à principal milícia xiita do Iraque, o Exército Mehdi, prometeu apoio parlamentar ao plano de Maliki, a exemplo do que fizeram partidos sunitas e curdos. A aprovação acabou sendo unânime.Desde que Maliki anunciou o plano de segurança, neste mês, houve uma série de atentados, e dezenas de copos continuam sendo encontrados a cada dia na cidade, aparentemente vítimas de esquadrões da morte sectários. Só na quarta-feira foram 33 cadáveres.Maliki nega que esta seja a última cartada possível para resolver a situação do Iraque. "A batalha entre nós e o terrorismo não tem fim, não pára com o fim deste plano", afirmou.O premiê disse ainda que as forças de segurança vão começar a desfazer as ocupações ilegais em casas abandonadas por pessoas que fugiram da violência sectária. "Hoje ou amanhã vamos começar a prender os que estão vivendo nas casas de refugiados, para abrir caminho para a volta deles", afirmou Maliki.Dezenas de milhares de pessoas, incluindo xiitas, sunitas e cristãos, fugiram de suas casas em Bagdá devido a violência e ameaças em função de sua religião, o que transforma bairros antes mistos em encraves sectários.

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