Bombas matam 43 e deixam mais de 100 feridos no Paquistão

Tensão política no país foi agravada pelo fato da Suprema Corte ter iniciado audiências de anistia

Reuters,

07 de dezembro de 2009 | 18h23

Mercado em Lahore, destruído pela explosão de duas bombas                      Foto: Associated Press

 

Duas bombas em um mercado na cidade de Lahore, no Paquistão, mataram 34 pessoas e feriram outras 109, disse uma autoridade municipal, horas após um homem-bomba ter matado nove pessoas em frente ao tribunal em Peshawar.

 

A tensão política no país está agravada devido à atividades da Suprema Corte que iniciou nesta segunda-feira, 7, as audiências em um processo de anistia. Em Lahore, o governo continua lutando contra rebeldes do Taleban em várias frentes.

 

Veja também:

link Atentado junto a um tribunal de Peshawar deixa 11 mortos

 

 

O Paquistão, um aliado necessário aos EUA na sua luta contra o Taleban no Afeganistão, está enfrentando sérios problemas de segurança.

 

Há cada vez mais dúvidas se o presidente Asif Ali Zardari conseguirá sobreviver politicamente a longo prazo. Se a Suprema Corte derrubar um pacote de anistia previamente concedido, alguns assessores próximos a Zardari podem voltar a enfrentar processos de corrupção. A anistia havia beneficiado 8.000 pessoas, inclusive os ministros de Interior e Defesa.

 

Enquanto isso, a região de Peshawar, no noroeste do Paquistão, enfrenta a maior parte dos atentados realizados em retaliação à ofensiva militar contra os rebeldes. Centenas de pessoas já morreram desde outubro.

 

"O autor da explosão desceu de um riquixá e correu para os portões do tribunal. Ele detonou os explosivos presos ao seu corpo quando os nossos homens apontaram seus rifles para impedi-lo de chegar ao tribunal", disse o chefe de polícia de Peshawar, Liaquat Ali, sobre o atentado de segunda-feira.

 

Equipes de resgate recolheram partes de corpos depois da explosão. Seis carros pegaram fogo.

 

O ataque no mercado em Lahore, perto da fronteira com a Índia, pode reacender temores que militantes querem expandir sua campanha além da região noroeste.

 

A maioria das vítimas era formada por mulheres que faziam compras no momento do ataque.

 

O Paquistão é aliado dos EUA na luta contra os rebeldes islâmicos da região. Na semana passada, ao anunciar o envio de 30 mil soldados adicionais para o vizinho Afeganistão, o presidente dos EUA, Barack Obama, alertou Islamabad a não permitir que os militantes afegãos busquem refúgio em território paquistanês.

 

Isso sobrecarrega os militares paquistaneses, já preocupados em enfrentar a ameaça do próprio Taleban paquistanês.

 

Na semana passada, militantes pularam um muro e atacaram uma mesquita perto da sede das Forças Armadas em Rawalpindi, matando mais de 40 pessoas.

Tudo o que sabemos sobre:
PaquistãoTalebanataque terrorista

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.