Bombas nas embaixadas de Chile e Suíça em Roma deixam dois feridos

Explosivos. Grupo anarquista italiano assume a autoria dos atentados contra as missões diplomáticas na capital italiana, levando as autoridades a vistoriar todas as demais representações estrangeiras e reforçar a segurança; vítima pode perder uma das mãos

REUTERS, AP e NYT, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2010 | 00h00

Dois funcionários das embaixadas do Chile e da Suíça ficaram feridos ontem ao abrir duas cartas-bomba enviadas para suas missões diplomáticas em Roma. Após os incidentes, a polícia italiana vistoriou todas as embaixadas na cidade. Um bilhete da Federação Anárquica Informal (FAI) foi encontrado no local de um dos ataques, afirmando que o grupo "decidiu destruir o sistema de dominação".

O grupo é o mesmo que assumiu a responsabilidade pelo envio de explosivos a instituições e dirigentes europeus, incluindo os pacotes-bomba que explodiram em cestos de lixo na frente da casa do ex-primeiro-ministro italiano Romano Prodi enquanto ele era presidente da Comissão Europeia.

Citando fontes de contraterrorismo, a imprensa italiana sugeriu que os pacotes seriam uma retaliação à prisão de anarquistas italianos na Suíça. Eles foram detidos em abril, acusados de planejar um ataque contra o escritório da empresa de tecnologia IBM no país. O Chile também é citado por muitos anarquistas gregos e italianos.

Um terceiro pacote suspeito foi encontrado na embaixada da Ucrânia, mas o embrulho não tinha nenhum artefato explosivo. Na Suíça, um dos prédios onde está a representação da União Europeia (UE) em Berna foi esvaziado após a chegada de um pacote suspeito, que na verdade era um presente de Natal.

As explosões aconteceram dois dias após a descoberta de uma falsa bomba em um trem vazio do metrô da capital italiana. As cartas são semelhantes às enviadas para embaixadas e chefes de governo europeus no mês passado. Na ocasião, o grupo anarquista grego Conspiração das Células de Fogo assumiu a autoria dos envios. Na ocasião, o envio de correspondências da Grécia para o exterior foi suspenso por dois dias.

As duas vítimas de ontem trabalhavam na triagem das correspondências quando houve as explosões, com menos de duas horas de intervalo. O primeiro ataque foi realizado na embaixada chilena, onde o funcionário teve ferimentos leves. A vítima na embaixada suíça, de 53 anos, corre o risco de perder a mão esquerda.

O prefeito de Roma, Gianni Alemanno, chamou as explosões de uma "onda de terrorismo contra embaixadas". A segurança em todas as missões diplomáticas foi reforçada. O ministro de Relações Exteriores italiano, Franco Frattini, alertou as embaixadas em Roma e as missões italianas no exterior para o risco de ataques.

A embaixada brasileira em Roma pediu que seu policiamento fosse reforçado e alertou funcionários sobre eventuais pacotes suspeitos. Segundo a assessoria da missão diplomática, a polícia italiana não chegou a fazer buscas dentro do prédio, mas deu orientações de segurança.

Horas antes das explosões, dois falsos alertas de bomba foram feitos próximo à sede da Prefeitura de Roma. Segundo o prefeito, os trotes não tiveram ligação com as explosões.

A Europa está em alerta desde o atentado suicida em Estocolmo, na Suécia, realizado por um iraquiano no início do mês. Suspeitos de terrorismo também foram detidos na Espanha, Grã-Bretanha e França nas últimas semanas. Militantes da Al-Qaeda ameaçaram promover atentados nos EUA e na Europa na época do Natal.

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