AFP PHOTO / FRANCISCO LEONG
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Bombeiros controlam últimos focos do incêndio no centro de Portugal

Ministério Público do país abriu uma investigação para esclarecer ‘as causas’ da tragédia e informou que o processo está sob ‘segredo judicial’

O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2017 | 05h56
Atualizado 22 de junho de 2017 | 12h43

GÓIS, PORTUGAL - Após cinco dias de luta, os bombeiros conseguiram nesta quinta-feira, 22, controlar os principais focos de incêndio que assolaram o centro de Portugal, deixando mais de 60 mortos e centenas de feridos, enquanto o país questiona as causas da tragédia.

Um dia após frear o imenso incêndio de Pedrógão Grande, os bombeiros conseguiram conter o avanço do fogo na região de Góis. Cerca de 2,4 mil homens seguem mobilizados para eliminar os dois incêndios, com a ajuda de 11 aeronaves enviadas pela Espanha, França e Itália.

Nas duas frentes, a noite de quarta-feira foi tranquila graças a condições climáticas mais favoráveis, já que as temperaturas caíram e a umidade aumentou.

Desde sábado, os serviços de emergência lutam para evitar que as chamas, alimentadas por um calor intenso e mudanças de ventos, se espalhassem em uma região com muitos eucaliptos e pinheiros, cujo terreno acidentado complica o trabalho dos bombeiros.

Os moradores de cerca de 40 vilarejos de Góis começaram a voltar para suas casas que, em sua maioria, puderam ser salvas pelos bombeiros e alguns moradores que permaneceram na área, apesar do perigo.

"Numa altura em que os incêndios mais preocupantes foram controlados, tenho duas palavras para falar sobre esta tragédia humana sem precedentes: dor e solidariedade", declarou o primeiro-ministro Antonio Costa, em uma coletiva de imprensa em Lisboa. "É essencial elucidar claramente tudo o que aconteceu.” Na véspera, a ministra do Interior, Constança Urbano de Sousa, reconheceu falhas no sistema de comunicação do Estado.

"Os acontecimentos fatídicos da estrada nacional 236 ocorreram em um contexto de fenômeno excepcional", escreveu o comandante-geral da gendarmeria em um documento enviado ao primeiro-ministro.

"O fogo atingiu a estrada de forma completamente inesperada, inusitada e terrivelmente súbita", disse o comandante-geral da gendarmeria em um documento enviado ao primeiro-ministro, que havia cobrado "explicações rápidas" sobre o que aconteceu na nacional 236.

Diante das críticas por não ter impedido o tráfego nessa estrada, a gendarmeria alegou que não tinha, naquele momento, "informações sobre a existência de um risco potencial ou real desta rota".

Investigações

O Ministério Público de Portugal abriu uma investigação para esclarecer "as causas do incêndio" que começou no sábado, e informou que o processo está sob "segredo judicial".

O fogo teria começado provavelmente pelo impacto de um raio em uma árvore seca, segundo apontou a Polícia Judicial pouco após a tragédia. No entanto, a hipótese foi questionada pelo presidente da Liga dos Bombeiros de Portugal, Jaime Marta Soares, que se mostrou cético pela celeridade com a qual a explicação foi dada. / AFP e EFE

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