'Bono brasileiro' diz que é hora de trocar a Irlanda pelo Brasil

Agravamento da crise no chamado 'Tigre Celta' tem levado imigrantes brasileiros a deixar o país.

Daniela Gross, BBC

19 de novembro de 2010 | 11h51

'Dei muitos autógrafos, tirei milhares de fotos. Nunca vou esquecer', diz Samuel

Nem Bono - ou, melhor, nem a versão brasileira do vocalista do U2 - deixou de sentir o agravamento da crise econômica irlandesa.

Samuel Araújo deixou o calor de Fortaleza há seis anos para acompanhar uma namorada irlandesa, acabou decidindo ficar e tentar a vida no país.

Baseado em Galway, costa oeste, ele começou a trabalhar fazendo "bicos", enquanto cursava cinema em uma universidade.

Durante os últimos quatro anos, Samuel fez trabalhos temporários para uma produtora de entretenimento, e teve a oportunidade de, literalmente,"vestir a carapuça" de um de seus maiores ídolos. Samuel viajou a China e África do Sul para divulgar a Irlanda em uma regata internacional, usando uma máscara gigante de Bono e imitando o cantor.

"A direção da empresa onde eu trabalhava gostava da forma como eu interpretava o Bono e achava que o meu jeito era parecido com o dele. Daí eu passei a ser o vocalista do U2", conta Samuel.

"Foi uma experiência inesquecível. Eu ia a jantares oferecidos para pessoas influentes dos países, ministros, diplomatas. Todos achavam o máximo o fato de que havia um brasileiro na equipe da divulgação da Irlanda, e que este brasileiro era o Bono. Dei muitos autógrafos, tirei milhares de fotos com fãs, nunca vou me esquecer desta época", diz Samuel.

Passados os tempos do boom econômico, a Irlanda está longe daquele país outrora apelidado de "Tigre Celta", e a indústria do entretenimento foi uma das mais afetadas. O trabalho como Bono para o brasileiro Samuel acabou.

Samuel em ação para divulgar a imagem da Irlanda

Ele está com férias marcadas para o Brasil e acha que esta pode ser um volta definitiva.

"As notícias que a gente recebe do Brasil são de que as coisas estão melhorando muito. Eu voltei de uma viagem onde encontrei muitos brasileiros passeando aqui pela Europa, e nunca vi isso acontecer tanto como agora", diz.

"Pela quantidade de brasileiros que você encontra, pelos papos, dá para perceber que o poder aquisitivo do brasileiro está crescendo, ao ponto de ele pode vir para a Europa, viajar sem pensar tanto na troca do câmbio, no que vão gastar aqui."

Para ele, os tempos de crise também contribuem para criar um certo clima de inseguranca para os entrangeiros que vivem país, o que, para ele, é um motivo a mais para fazer as malas.

"Quando esta crise chegou e as pessoas começaram a perder o emprego, a gente passou a sentir que o irlandês já começa a olhar para o imigrante com uma certa rivalidade", diz.

"Os irlandeses são pessoas muito amáveis, muito generosas, mas sempre rola uma insegurança neste caso."BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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