Chris Delmas/AFP
Chris Delmas/AFP

Boom imobiliário dos EUA acentua a brecha entre pobres e ricos

Com muitos americanos considerando trabalhar a médio prazo apenas de forma remota e com as crianças assistindo às aulas pelo Zoom, a pandemia estimula a demanda, mas comprar uma casa não é fácil para todos

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2020 | 17h10

WASHINGTON - O mercado imobiliário dos Estados Unidos está no auge mesmo com a crise do coronavírus, mas o apetite insaciável por casas disparou os preços e destruiu o sonho da casa própria de muitas famílias de baixa renda. "É uma história de ricos e pobres", diz Dana Scanlon, uma corretora imobiliária de Washington.

Em uma tentativa de amenizar os danos da pandemia na maior economia do mundo, a Reserva Federal cortou para quase zero as taxas de juros em março. Como explica Scanlon, "isso deu um grande impulso ao poder de compra daqueles que ainda têm emprego... E que podem trabalhar de casa".

Para muitos, a medida significou até "um leve aumento na economia" devido à diminuição dos gastos de ir e vir ao trabalho e comer fora de casa, acrescenta. Isso significa que algumas famílias têm mais dinheiro para melhorar sua casa ou, em alguns casos, até para comprar uma segunda.

Com muitos funcionários de colarinho branco considerando trabalhar a médio prazo apenas de forma remota e com as crianças assistindo às aulas pelo Zoom, a pandemia estimula a demanda.

O aumento da compra de casas surpreendeu os especialistas do setor, que ainda lembram como o mercado imobiliário chegou ao fundo do poço na grande crise de 2008/2009.

'Pirâmide' de compradores 

No entanto, comprar uma casa não é fácil para todos os americanos que compartilham desse sonho. "Existe um certo tipo de pirâmide, ou escada, de compradores", afirma Scanlon.

Quem mora em um estúdio procura por um apartamento de um quarto e quem mora em um apartamento de um quarto procura uma casa nos subúrbios.

Em outubro, a venda de casas usadas atingiu seu maior patamar desde o início de 2006. No mês passado, 6,85 milhões de casas foram revendidas, contra 6,54 milhões do mês anterior (+4,3%), e na medição anual o aumento foi de 26,6%, de acordo com a associação de agentes imobiliários (NAR). Mas a redução do estoque provocou uma alta vertiginosa dos preços. 

Segundo a NAR, o preço médio de casas individuais aumentou 12% no terceiro trimestre em comparação ao mesmo período do ano passado e ficou em US$ 313.500. Isso significa que os preços subiram quatro vezes mais rápido que a renda familiar média (+2,9%).

Como consequência disso, cada vez mais pessoas que planejavam comprar uma casa pela primeira vez precisam desistir agora. A porção dos "primeiros proprietários" diminuiu: 31% em 2020 contra 33% um ano atrás, disse Lawrence Yun, economista-chefe da NAR. "Devido ao forte aumento dos preços, é cada vez mais difícil para os inquilinos" economizar para sua primeira compra, explicou./AFP 

 

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