Andrew Matthews / POOL / AFP
Andrew Matthews / POOL / AFP

Boris Johnson retira restrições contra covid e Reino Unido caminha para convívio com o vírus

Isolamento deixará de ser obrigatório para pessoas contaminadas com o vírus; nova abordagem visa a tratar o coronavírus como outras doenças transmissíveis, como a gripe

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2022 | 16h49

LONDRES - O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciou nesta segunda-feira, 21, o fim das restrições anticovid em vigor no Reino Unido, incluindo a exigência de isolamento de pessoas contaminadas e a suspensão do rastreamento de contatos em caso de infecção. Johnson disse aos legisladores britânicos que o país estava "passando das restrições do governo para a responsabilidade pessoal" como parte de um plano para tratar a covid-19 como outras doenças transmissíveis, como a gripe.

"Já temos níveis de imunidade suficientes para passar da proteção das pessoas através de intervenções governamentais a vacinas e tratamentos como primeira linha de defesa", declarou o chefe do governo no Parlamento."As restrições têm um custo importante para nossa economia, nossa sociedade, nosso bem estar mental e as oportunidades dos nossos filhos e não temos que continuar pagando este preço por mais tempo", acrescentou.

O fim do isolamento para as pessoas infectadas com a covid-19 entra em vigor na próxima quinta-feira, 24. No entanto, até 1º de abril, recomenda-se permanecer em casa em caso de teste positivo. Nesse dia, os testes para detectar o coronavírus deixarão de ser gratuitos, exceto para as pessoas idosas ou vulneráveis.

Johnson destacou que a pandemia não acabou, mas que graças à "incrível" dispersão das vacinas, o país está um passo mais perto de "voltar à normalidade" e de "finalmente devolver a liberdade às pessoas", sem deixar de se proteger.

Johnson ressaltou que mais de 71% dos adultos receberam três doses de alguma das vacinas anticovid no Reino Unido, 93% da população de mais de 70 anos.

Ao mesmo tempo, o governo tenta continuar com sua campanha de vacinação, com a aplicação na primavera no hemisfério norte da quarta dose da vacina para maiores de 75 anos e os mais vulneráveis.

Após o pico provocada pela variante Ômicron em janeiro, Johnson tinha suspenso a maioria das restrições em vigor, como o uso de máscaras em ambientes fechados e o passaporte sanitário para acessar discotecas ou eventos maciços.

Dois anos depois do início da pandemia, o Reino Unido é uma das nações mais afetadas pela covid-19, com 160 mil mortos.

Embora o número de casos tenha diminuído com força no Reino Unido (cerca de 40 mil por dia), a própria rainha Elizabeth II testou positivo para a covid-19, segundo informações divulgadas no domingo. A monarca de 95 anos tem um quadro leve com sintomas similares aos de um resfriado.

Na área da saúde, as decisões do governo de Londres se limitam à Inglaterra, enquanto os outros três países do Reino Unido (Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) têm suas próprias competências sanitárias.

"Pouco sábio"

Os partidos da oposição acusam Johnson de querer distrair a atenção em um momento em que seu cargo está em perigo pela investigação de uma série de festas na residência oficial de Downing Street durante o confinamento.

Os trabalhistas compararam a medida de eliminar os exames gratuitos a "substituir sua melhor defesa a dez minutos do fim de uma partida".

"Boris Johnson está declarando vitória antes do fim da guerra, em uma tentativa de distrair a atenção da polícia que bate à sua porta", criticou a porta-voz de questões de saúde do Partido Trabalhista, Wes Streeting.

Ele também é acusado de querer agradar os representantes conservadores, insatisfeitos com as restrições às liberdades públicas. /AP e AFP

Por sua vez, a Confederação dos NHS, que representa os mais altos dirigentes do sistema nacional de saúde, informaram que uma consulta interna destacou que a maioria de seus membros se opõem a pôr fim às medidas de isolamento e dar testes gratuitos à população.

David Nabarro, um delegado da Organização Mundial da Saúde especializado em covid, expressou que eliminar a lei sobre o isolamento dos contagiados parece "realmente pouco sábio". /AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.