Andrew Milligan/Pool via REUTERS
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Boris Johnson anuncia novas restrições contra covid-19 que podem durar seis meses

Primeiro-ministro britânico pede que, quem puder, trabalhe de casa, impõe novo horário de fechamento de pubs e restaurantes, e amplia a obrigação de uso de máscara

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2020 | 08h30

LONDRES  - O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciou nessa terça-feira, 22, novas medidas restritivas para conter o aumento de casos de covid-19. Segundo o premiê, as determinações que reduzem os horários de funcionamento de pubs e ampliam o uso de máscaras podem durar "talvez seis meses".

"Chegamos a um momento perigoso e decisivo, este é o momento em que precisamos agir", afirmou Boris no Parlamento.

Em uma mudança de discurso sobre a retomada das atividades econômicas, o primeiro-ministro solicitou que, quem puder, trabalhe em casa e disse que apenas serviços essenciais devem ser mantidos de forma presencial.

"De forma alguma isso significa um retorno ao lockdown de março. Nós não estamos dando instruções para ficar em casa", afirmou o premiê. "Mas estamos pedindo novamente aos trabalhadores que podem trabalhar de casa que façam isso."

Já a partir desta terça-feira, 22, pubs e restaurantes terão que fechar a partir das 22h. Segundo o jornal britânico The Guardian, esse também será o horário-limite para clientes comprarem comida nesses locais. No entanto, os serviços de entrega poderão ser mantidos após às 22h.

Esses estabelecimentos também só poderão receber clientes em mesas, e essa determinação se tornará lei para auxiliar a fiscalização, de acordo com o jornal Financial Times. Esses locais podem ser fechados ou multados se violarem as regras, alertou Boris.

Máscaras agora passam a ser obrigatórias para quem trabalha em serviços de varejo, de hospitalidade - como hotéis, restaurantes e bares - e para passageiros em táxis. A multa para quem não utilizá-la onde o uso é obrigatório subirá para 100 libras (R$ 696) quando a infração for cometida pela primeira vez, segundo o Financial Times.

Na sexta-feira, o Ministério da Saúde do Reino Unido informou que a contaminação pela covid-19 está acelerando no país, com internações hospitalares dobrando a cada dois dias. O órgão chegou a admitir a possibilidade de uma nova quarentena nacional se necessário. Boris, no entanto, está resistindo à medida.

Segundo a universidade americana Johns Hopkins, o Reino Unido já registrou 401.127 casos de covid-19 e 41.877 mortes.

O premiê ainda disse nesta terça-feira que as Forças Armadas podem ser chamadas para auxiliar a polícia na fiscalização das medidas restritivas.

Além disso, festas de casamento só poderão ter, no máximo, 15 pessoas - metade do que era permitido antes - e esportes em lugares fechados com mais de seis pessoas serão proibidos. O premiê disse ainda  que estão "pausados" os planos para o retorno das torcidas em estádios de futebol em 1º de outubro.

"Nunca em nossa História nosso destino coletivo e nossa saúde coletiva dependeram tanto de nosso comportamento individual", disse Boris mais tarde em um pronunciamento pela TV.

De acordo com o The Guardian, o prefeito de Londres, Sadiq Khan, reagiu de maneira positiva às novas medidas, mas disse que a capital talvez precise de mais restrições.

"Está claro que Londres tem necessidades e desafios únicos, e medidas adicionais precisam ser analisadas para ver se são adequadas para a capital", disse um porta-voz do prefeito.

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