Facundo Arrizabalaga|EFE
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Favorito ao cargo de premiê desiste de concorrer e agrava crise britânica

Boris Johnson, ex-prefeito de Londres e um dos líderes da campanha pela saída do Reino Unido da União Europeia, diz que é incapaz de dar estabilidade e unidade ao novo governo; Partido Conservador escolhe o substituto de Cameron em setembro

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

30 Junho 2016 | 09h33

A crise política causada pelo referendo que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia (UE) se intensificou nesta quinta-feira, 30. Considerado até então favorito ao cargo de novo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson surpreendeu e anunciou que não será candidato à liderança do Partido Conservador. 

As prévias, marcadas para entre 2 e 9 de setembro, definirão o substituto do atual premiê, David Cameron, que se demitiu horas após o resultado da votação que deu vitória ao Brexit, abalando 43 anos de relação entre Londres e Bruxelas.

A desistência do ex-prefeito da capital ocorreu um dia após líderes europeus descartarem que o Reino Unido possa vir a fazer parte do Espaço Econômico Europeu (EEE) sem permitir a livre circulação de trabalhadores e sem contribuir para o orçamento de Bruxelas. 

Essas eram promessas de campanha de Johnson e dos movimentos eurocéticos. Na quarta-feira, líderes europeus como o presidente da França, François Hollande, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, reiteraram que as “quatro liberdades” previstas na UE – livre circulação de bens, de serviços, de capitais e de pessoas – são indissociáveis. 

A resposta de Bruxelas expôs as contradições da campanha pelo Brexit, que vendeu ao eleitorado uma promessa que não poderá cumprir. 

Hoje, quando o Reino Unido esperava o anúncio de sua candidatura, Johnson fez o inesperado. Cada vez mais questionado por um grupo dentro de seu próprio partido, que lançou a ministra do Interior, Theresa May, para impedir sua eleição, Johnson reconheceu: “Não posso aportar liderança e unidade necessárias”. 

A decisão de Johnson veio a público três horas após seu maior aliado, Michael Gove, ministro da Justiça do governo de Cameron, mas pró-Brexit, anunciar candidatura própria. Gove era considerado favorito para ser ministro das Finanças de Johnson, mas hoje criticou o ex-prefeito londrino. “Boris não pode prover a liderança ou construir a equipe (certa) para a tarefa que vem pela frente”, afirmou. 

Com a renúncia de Cameron e a ausência de Johnson, cinco candidatos já estão iniciando campanha. O processo começará em julho, mas ganhará impulso a partir de 2 de setembro. A decisão será conhecida uma semana depois. O novo líder será nomeado primeiro-ministro. Caberá a ele, então, decidir se convoca ou não eleições parlamentares antecipadas.

Além da turbulência no Partido Conservador, o Brexit também chacoalhou o Partido Trabalhista, o maior da oposição. Seu líder, Jeremy Corbyn, enfrenta uma rebelião de deputados que o acusam de não ter participado de forma consistente na campanha pró-Europa.

May prometeu que, se vencer, não adiantará as eleições legislativas, previstas para 2020, e esperará o próximo ano para ativar o artigo 50 dos tratados europeus para romper com a UE. A ministra, de 59 anos e no governo desde 2010, também disse que não há volta na decisão de romper com o bloco: "Brexit significa Brexit", afirmou.

Em uma carta publicada no site do jornal The Times, ela garante que vai servir seu partido e as pessoas com "a missão de fazer com que Grã-Bretanha funcione para todos". / Com AFP e EFE

Veja abaixo: Londrinos protestam contra o Brexit

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