AP Photo FILE/Matt Dunham, Frank Augstein
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Johnson enfrentará chanceler na última disputa pelo cargo de premiê britânico

Ex-prefeito de Londres obteve o voto de 157 dos 313 deputados do partido na quinta rodada de votação para definir o novo líder e futuro premiê do Reino Unido

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2019 | 11h19
Atualizado 20 de junho de 2019 | 17h40

LONDRES - O ex-prefeito de Londres Boris Johnson e o ministro das Relações Exteriores, Jeremy Hunt, disputarão a liderança do Partido Conservador e o posto de primeiro-ministro do Reino Unido, após serem escolhidos na primeira fase das eleições primárias da legenda. Os dois se enfrentarão na votação, em julho, aberta aos 160 mil membros do partido.

Mais cedo nesta quinta-feira, 20, Johnson, também ex-chanceler do país, já havia aumentado sua vantagem nas primárias do partido ao eliminar o ministro do Interior, Sajid Javid, em sua quarta rodada de votação.  Nessa votação, Johnson obteve os votos de 157 dos 313 deputados, e Javid foi eliminado com 34.

Na quinta rodada de votação, nesta tarde, Johnson recebeu o apoio de 160 dos 313 deputados conservadores. Por sua vez, Hunt obteve 77 votos. O terceiro colocado na disputa, o ministro do Meio ambiente, Michael Gove, foi o político eliminado nesta fase, com 75 votos. 

A partir de sábado, Johnson e seu rival iniciarão a campanha na qual apresentarão seus programas de governo para os membros dos tories (como são conhecidos os conservadores), a quem caberá a última palavra sobre o futuro novo líder do partido.

O vencedor da disputa deverá levar adiante o Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), ainda que não tenha havido uma mudança substancial no cenário: os conservadores continuam sem a maioria necessária do Parlamento britânico para aprovar o plano e Bruxelas insiste que não abrirá novas negociações.

"Os britânicos estão cansados"

Previsto inicialmente para 29 de março, o Brexit teve que ser adiado duas vezes, a última delas para 31 de outubro. Ainda que nos últimos dias tenha moderado suas falas, Johnson se declarou determinado a não pedir mais adiamentos da UE. E isso voltou a colocar sobre a mesa a temida opção de um Brexit sem acordo, o que preocupa os empresários britânicos em razão das caóticas consequências para a economia do país.

"A probabilidade de um Brexit sem acordo aumentou", alertou recentemente o Banco da Inglaterra por meio de seu Comitê de Política Monetária. "Como era de se esperar, os dados recentes Reino Unido foram voláteis, em grande parte, devido aos efeitos do Brexit nos mercados financeiros e nas empresas", completou.

Em declarações à rádio pública BBC, o premiê holandês, Mark Rutte, disse que um Brexit abrupto transformaria o Reino Unido em um "país diferente". "Será um país diminuído, é inevitável", disse .

O ministro britânico de Finanças, Philip Hammond, garante que não consegue imaginar nenhum governo conservador "buscando ativamente um Brexit sem acordo".

No único dos dois debates na televisão em que participou, Johnson disse na terça-feira: "Os ingleses estão fartos disso", ao referir-se às discussões do Brexit. No entanto, ele se recusou a "garantir" que o país deixará o bloco em 31 de outubro "com ou sem acordo", como havia dito anteriormente.

Diante do favorito, Hunt se esforça para se transformar em uma "alternativa séria", enfatizando seu sucesso nos negócios, o que o tornou um bilionário, e sua longa carreira política. Durante o debate, ele e Gove afirmaram que um novo adiamento pode ser necessário para obter o apoio do Parlamento. / AFP, AP e REUTERS

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