Tolga Akmen/AFP
Tolga Akmen/AFP

Boris Johnson compara líder da oposição e rival eleitoral com Stalin

Em artigo publicado no primeiro dia da campanha das eleições legislativas, o premiê não poupou críticas a Jeremy Corbyn e ao programa do Partido Trabalhista

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2019 | 16h11

LONDRES - O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, comparou o líder da oposição britânica, e seu principal rival eleitoral, o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, ao ditador soviético Josef Stalin, no início oficial da campanha para as eleições legislativas, antecipadas para 12 de dezembro.  

As hostilidades foram ditas por Johnson em um artigo publicado nesta quarta-feira, 6, no jornal para o qual colaborou durante 30 anos, o conservador The Daily Telegraph.

No texto, Johnson acusa Corbyn, cujo programa é um dos mais esquerdistas registrados no Reino Unido nas últimas décadas, de odiar "tão visceralmente o lucro que vai destruir as bases da prosperidade de nosso país".

O Partido Trabalhista pretende "que seu ódio se dirija apenas contra alguns bilionários, que demonizam com um prazer e uma vingança que não eram vistos desde que Stalin perseguiu os 'kulaks'", completou, em referência aos camponeses ricos atacados pelo regime stalinista.

Corbyn respondeu no Twitter e denunciou "as bobagens que os super ricos arranjam para evitar pagar um pouco mais de impostos".

A capa do The Daily Telegraph também diz que Johnson iniciou sua campanha oficialmente pelo jornal. Após várias tentativas infrutíferas, o premiê conseguiu na semana passada a aprovação do Parlamento para antecipar as eleições, inicialmente previstas para 2022, com o objetivo de romper o bloqueio político no Parlamento que resultou no terceiro adiamento do Brexit, agora com prazo até 31 de janeiro.

Os partidos britânicos já estão há várias semanas em pré-campanha, mas esta quarta-feira marca o início oficial das cinco semanas dedicadas oficialmente a conquistar o eleitorado para a votação de 12 de dezembro: Johnson compareceu ao Palácio de Buckingham e solicitou à Rainha Elizabeth II a dissolução do Parlamento.

As pesquisas apontam uma vantagem de 10 pontos do Partido Conservador, mas os analistas alertam para a falta de confiabilidade das sondagens no passado, assim como para a incerteza sobre um resultado que será marcado pelas divisões sociais e políticas sobre a saída da União Europeia.

'Freando o Brexit'

O ambicioso programa trabalhista inclui a reestatização de várias empresas, o aumento do salário mínimo e a redução da semana de trabalho a 32 horas. E todas as medidas devem ser financiadas com o aumento dos impostos para a maior faixa de renda.

"Os trabalhistas vão frear os negócios, frear os investimentos e, pior de tudo, frear o Brexit", acusou Johnson.

Se vencer as eleições, a esquerda britânica promete resolver em seis meses o quebra-cabeças da saída da UE, apoiada por 52% dos britânicos no referendo de 2016, mas que tem sua concretização incerta.

O Partido Trabalhista quer negociar um novo acordo do Brexit com Bruxelas para manter o Reino Unido em uma união alfandegária com a UE e depois submeter o pacto a um novo referendo, que incluiria a opção de anular todo o processo e permanecer dentro do bloco.

Sobre a possibilidade de retomar do zero negociações que se prolongaram durante mais de dois anos e que deixam os 27 sócios europeus de Londres cada vez mais irritados, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, declarou à BBC que não acredita "que seja um enfoque realista". 

Em caso de vitória, os trabalhistas também poderiam atender o pedido dos independentistas escoceses de organizar um novo referendo de autodeterminação, depois do pleito de 2014 em que 55% dos eleitores votaram pela permanência no Reino Unido.

O Partido Nacionalista Escocês (SNP) espera melhorar sua representação no Parlamento de Westminster, onde atualmente tem 35 das 650 cadeiras.

O objetivo é pressionar para que Londres transfira, até o fim do ano, ao Executivo regional o poder de convocar em 2020 um plebiscito que agora esperam vencer, impulsionado pela rejeição da maioria dos escoceses à saída da UE.

"Se querem que a Escócia permaneça na UE, se querem que a Escócia assuma o seu próprio futuro, o primeiro passo vital nestas eleições é livrar-se dos conservadores", afirmou a primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, à rádio BBC. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.