REUTERS/Toby Melville
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Boris Johnson diz querer um novo acordo com a União Europeia

Premiê do Reino Unido diz que não pretende conversar com líderes da UE enquanto eles não abandonarem a ideia de manter uma 'união aduaneira' entre a UE e a Irlanda do Norte em caso de saída sem acordo

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2019 | 15h06

O novo primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, disse nesta segunda-feira, 29, que não pretende conversar com líderes da União Europeia enquanto eles não aceitarem abandonar o mecanismo chamado de ‘backstop’, uma “rede de segurança” que consiste em manter uma “união aduaneira” entre a UE e a Irlanda do Norte.

Apesar dos convites para reuniões da chanceler alemã, Angela Merkel, e do presidente francês, Emmanuel Macron, Johnson afirmou que pretende renegociar o acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia. A porta-voz oficial do governo britânico disse que o primeiro-ministro deixou claro que queria fechar um acordo, mas que não adiantava manter conversas presenciais caso a UE não concordasse em reabrir o acordo de retirada.

Mas em uma visita à base nuclear Trident, em Faslane, na Escócia, na segunda-feira, Johnson pintou um quadro mais otimista das perspectivas de conversações, dizendo aos repórteres que havia "amplo escopo" para conseguir um novo acordo.

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“Nós não estamos apontando para um Brexit sem acordo. O que queremos é conseguir um acordo e tive algumas conversas interessantes com nossos parceiros europeus. Eu conversei com Jean-Claude [Juncker] e Angela Merkel e estamos chegando hoje a Leo Varadkar. A sensação é de que não há mudança na posição deles, mas é muito, muito positiva ”, disse Boris.

"Todos sabem onde estamos: não podemos aceitar o backstop, o atual acordo foi rejeitado três vezes no Parlamento, e está morto e todo mundo entende isso. Mas há ampla possibilidade para fazer um novo acordo e um acordo melhor ”.

Embora Johnson tenha falado com Merkel e Macron, não há planos para aceitar seus convites para visitar sem uma mudança em sua posição. As autoridades irlandesas entendem que o atraso em contatar Varadkar, o primeiro-ministro irlandês, é indicativo de uma falta de vontade de entrar em negociações sérias. Varadkar está convicto de que o backstop deve permanecer para impedir o regresso a uma fronteira dura na ilha da Irlanda e preservar a integridade do mercado único.

saída do Reino Unido da União Europeia (UE) sem um acordo de separação implicaria na reintrodução de uma "fronteira física" entra a Irlanda e a província britânica da Irlanda do Norte.

A construção de um eventual posto de fronteira seria contrário a um dos pontos-chave do acordo de paz de Sexta-feira Santa, que pôs fim, em 1998, ao conflito histórico entre os católicos, republicanos e nacionalistas, e os unionistas protestantes./ AFP e REUTERS

 

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