Tolga Akmen/AFP
Tolga Akmen/AFP

Análise: Boris Johnson é o pior pesadelo da União Europeia

Ele é acusado por muitos no bloco de ser o causador da confusão com sua campanha com base em falsas promessas

Ian Wishart / BLOOMBERG, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2019 | 05h00
Atualizado 23 de julho de 2019 | 21h48

Em vez de pôr fim ao impasse sobre o Brexit, a saída de Theresa May torna real o que há muito tempo é considerado o pior pesadelo para a União Europeia, ou seja, um Reino Unido comandado por Boris Johnson, que é acusado por muitos na UE de ser o causador da confusão com sua campanha com base em falsas promessas.

Se May era uma figura previsível com uma estratégia clara, embora falha, muitos dirigentes na UE acham que Johnson é um populista mentiroso que deseja destruir o bloco. Em particular, as autoridades creem que ele oferecerá a forma mais catastrófica, do ponto de vista econômico, de Brexit – sem nenhum acordo para abrandar a saída, o que disse que faria, se preciso. 

No mês anterior ao referendo do Brexit, em junho de 2016, líderes mundiais, incluindo o presidente Barack Obama e o premiê britânico David Cameron, se reuniram para a cúpula do G-7 no Japão. Johnson, ex-prefeito de Londres, já fazia campanha em favor da saída do país da UE. Nos corredores da cúpula o nome de Johnson foi mencionado várias vezes. Diplomatas de toda Europa se mostravam preocupados de que sua mensagem sobre o Brexit atingiria seu objetivo.

Com a UE firme na sua política de uma frente unida para isolar um beligerante, Bruxelas agora se depara com um Reino Unido se afundando na tormenta política. Em vez de servir como alerta para os defensores das forças nacionalistas, isso somente os fortaleceu nas eleições  para o Parlamento Europeu

A caracterização na Europa de Johnson como um mentiroso é um tema comum. Que não é beneficiado pelo período em que passou em Bruxelas como correspondente do Daily Telegraph, entre 1989-1994. Na época, ele já tinha a reputação de incentivar o sentimento eurocético com reportagens que despertavam atenção e nem sempre eram confiáveis. Ele irritou ainda mais os governos europeus quando, em 2016, comparou as ambições da UE à tentativa de Hitler de dominar o continente. 

Sua reputação deve tornar as negociações sobre o Brexit com ele muito difíceis, dizem as autoridades. Diplomatas envolvidos nas negociações do Brexit já discutiram como enfrentar um Johnson premiê.

Provavelmente a UE deve endurecer sua determinação de não retomar as discussões sobre o acordo e os líderes europeus estarão menos propensos a adiar ainda mais o Brexit, afirmou uma autoridade. Ironicamente, um Brexit “sem nenhum acordo”, que as autoridades europeias temem que seja o desejo de Johnson, será o resultado mais provável, diz a fonte. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO 

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