EFE/ Neil Hall
EFE/ Neil Hall

Boris Johnson lança campanha e diz que apoia 'Brexit sem acordo'

O ex-prefeito de Londres é favorito para assumir o cargo de líder do Partido Conservador, e se tornaria o futuro premiê do Reino Unido; para ele, país 'tem que sair da União Europeia em 31 de outubro, com ou sem acordo' 

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2019 | 11h29

O ex-ministro das Relações Exteriores britânico, Boris Johnson, lançou sua campanha pelo cargo de líder do Partido Conservador, e futuro premiê do Reino Unido, nesta quarta-feira, 12, e afirmou que o país “tem que sair da União Europeia (UE) no próximo dia 31 de outubro, com ou sem acordo." 

"Depois de três anos e dois prazos vencidos, precisamos sair da UE em 31 de outubro", disse ele diante da Academia Real de Engenharia, no centro de Londres, em uma abarrotada sala do bairro londrino de Westminster. 

Partido Conservador terá dez candidatos candidatos na disputa pela vaga de líder da legenda e primeiro-ministro do Reino Unido. Até agora, o grande favorito é o ex-prefeito de Londres e ex-chanceler Boris Johnson, símbolo da campanha pró-Brexit. Ele e seu principal rival divergem sobre a forma de negociar com a União Europeia, mas estão de acordo em um corte de impostos para a população mais rica.

Há quase três anos, Johnson comandou a campanha oficial de saída da UE. Em seu primeiro ato oficial de campanha, louvou a força da economia britânica, prometeu concretizar o Brexit até 31 de outubro e combater o desespero que assola o Reino Unido.

“Não busco um resultado sem acordo”, disse Johnson, “mas também não vou estender o prazo, e aí será sem acordo. Não acho que acabaremos com nada do tipo, mas é questão de responsabilidade se preparar vigorosa e seriamente para a falta de acordo. De fato, é surpreendente que alguém possa sugerir dispensar essa ferramenta vital da negociação".

Johnson disse que “a população britânica se sente desiludida e desesperada, diante da incapacidade dos políticos para concretizar a saída do país do bloco europeu”.

O ex-prefeito de Londres, cujo estilo excêntrico o ajudou a minimizar uma série de escândalos, conquistou muitos de seu partido argumentando que só ele pode resgatar os conservadores realizando o Brexit.

Para muitos, ele só pode perder para si mesmo na disputa pelo posto de premiê – ele tem os apoiadores conservadores mais explícitos no Parlamento e é muito popular entre seus correligionários, as pessoas que decidirão o sucessor de May.

Quando perguntaram se ele é de confiança, Johnson disse que é. Questionado se já violou a lei, ele disse ter dirigido acima do limite de velocidade. Ao lhe perguntarem se já mexeu com drogas ilegais, ele saiu pela tangente.

Como no referendo de 2016 sobre a filiação à UE, a mensagem de Johnson é clara: qualquer outro atraso no Brexit e o Partido Conservador corre o risco de abrir as portas para um governo liderado pelo líder opositor trabalhista e socialista veterano Jeremy Corbyn.

"Simplesmente não conseguiremos um resultado se dermos a impressão de que queremos continuar cozinhando em fogo brando e tivermos mais atrasos", afirmou. "Atraso significa derrota, atraso significa ruína".

O Reino Unido pode estar rumando para uma crise constitucional por causa do Brexit, já que muitos dos candidates que querem substituir May estão dispostos a romper com o bloco em 31 de outubro sem um acordo, mas o Parlamento sinalizou que tentará evitar essa situação.

Boris Johnson contra a União Europeia

O candidato a primeiro-ministro britânico veio a público sugerir que o Reino Unido pode pressionar a União Europeia para obter um acordo melhor para o Brexit. E o meio de pressão consistiria em não pagar os  € 44 milhões em dívidas.

Bruxelas reagiu à proposta de Boris Johnson  "Se o Reino Unido não pagasse as suas dívidas, isso implicaria um Brexit sem acordo e sem fase de transição", escreveu em sua conta no Twitter Jean-Claude Piris, chefe dos Serviços Jurídicos do Conselho Europeu. Isso representaria a eleiminação do período de dois anos em que é permitido ao Reino Unido conservar pleno acesso ao mercado interno da União Europeia.

O ministro de Estado alemão para a Europa, Michael Roth, por seu lado, declarou à Reuters que não vê "qualquer disposição a reabrir as negociações", nem qualquer possibilidade de essa disposição ser alterada por meio de uma chantagem. "A UE e os Estados membros não são chantageáveis", disse.

O colunista Markus Becker, da revista alemã Der Spiegel, afirma que o Reino Unido perderia dinheiro retendo os € 44 milhões. Isso porque os subsídios que o Reino Unido deve receber da UE nos próximos anos seriam imediatamente congelados, o que levaria, segundo um alto funcionário da UE também citado em Der Spiegel, a deixar de receber algo em trono de € 250 milhões./ AFP, REUTERS E AP

 

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