Phil Noble/Reuters
Phil Noble/Reuters

Boris Johnson, o político que apostou no Brexit e ganhou

Embora seja um dos políticos mais populares, esse homem de cabelos indisciplinados também atrai fortes críticas por uma retórica populista que lhe rendeu uma comparação com Trump e uma falta de rigor que muitos denunciam como mentiras

Anna Cuenca/AFP, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2019 | 06h00

LONDRES - Boris Johnson chegou ao poder para garantir que o Brexit seja implantado e vai para a reeleição com a promessa de acabar com as divisões que fraturam o Reino Unido, apesar de ser uma das figuras mais polarizadoras do país.

Alimentando sua imagem de jovialidade e despreocupação, durante a campanha eleitoral, ele trocou pneus na Fórmula 1, tosou ovelhas e provou uísque na Escócia.

Mas, embora ele seja um dos políticos mais populares, esse homem de cabelos loiros indisciplinados, de 55 anos também atrai fortes críticas por uma retórica populista que lhe rendeu uma comparação com Donald Trump e uma falta de rigor que muitos denunciam como mentiras.

 “A verdade importa?”, perguntou uma moderadora durante um debate eleitoral. “Acho que sim”, respondeu Johnson ... fazendo com que a plateia desatasse em risos.

Apesar de tudo, seu Partido Conservador obteve a maioria absoluta necessária para reverter a situação adversa que viveu desde sua eleição em julho em substituição a Theresa May.

Em seus primeiros meses no poder, enfrentou inúmeros reveses: 21 deputados conservadores se rebelaram contra ele, a justiça anulou sua suspensão do trabalho parlamentar considerando-a “ilegal”, perdeu moção após moção e acabou sendo forçado a solicitar um terceiro adiamento do Brexit, apesar de ter dito que preferia “estar morto em uma vala” a fazer isso.

No referendo de 2016, esse grande admirador de Winston Churchill - sobre o qual escreveu uma biografia - emergiu como um dos principais defensores do Brexit, mas apenas depois de realizar um exercício incomum.

Colunista do jornal conservador The Daily Telegraph, ele preparou um artigo anunciando que apoiava a permanência no bloco e outro afirmando o contrário, o que alimentou a impressão de que sua decisão escondia um cálculo político.

"A única coisa na qual Boris Johnson acredita é em Boris Johnson”, disse à France-Presse o ex-diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC) Pascal Lamy, que conhece a família Johnson desde que Boris era um garoto que estudava na Escola Europeia de Bruxelas, onde seu pai era eurodeputado.

Popularmente conhecido como "BoJo", Alexander Boris de Pfeffel Johnson nasceu em 1964 em Nova York, em uma família de políticos, jornalistas e personalidades da mídia. Um de seus bisavôs era turco e foi ministro do último Império Otomano.

E ele sempre se lembra disso quando é acusado de islamofobia. Como quando ele comparou as mulheres vestidas de burca a caixas de correio, declarações que, juntamente com outras, também o levaram a ser acusado de misoginia, embora seus partidários chamem de simples brincadeiras. Segundo sua irmã Rachel, quando criança, ele queria ser "rei do mundo". 

Seguindo a rota clássica das elites britânicas, ele estudou nas prestigiosas Eton e Oxford.

Em 1987, iniciou uma carreira de jornalista no The Times, que o demitiu um ano depois por inventar declarações. Entre 1989 e 1994, ele foi correspondente do Telegraph em Bruxelas, onde escreveu artigos que ridicularizavam os regulamentos europeus.

“Ele não inventava histórias, mas sempre caia no exagero”, lembra Christian Spillmann, jornalista da France-Presse em Bruxelas naqueles anos.

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Eleito deputado em 2001, ele perdeu um cargo na cúpula conservadora três anos depois por mentir sobre um caso extraconjugal. Um dos vários escândalos pessoais de um político que não revela quantos filhos ele tem ... além dos quatro que reconheceu.

Divorciado duas vezes, ele agora vive em Downing Street com a namorada, Carrie Symonds, de 31 anos.

Conquistou o estrelato após ser eleito prefeito de Londres em 2008 e, embora alguns projetos desastrosos sejam atribuídos a ele, brilhou nos Jogos Olímpicos de 2012.

Na mente de todos, ficou a imagem do prefeito Johnson, presa em uma tirolesa durante os Jogos e agitando uma bandeira enquanto esperava para ser resgatado, uma situação ridícula que, graças ao seu carisma, conseguiu se transformar a seu favor.

Ele foi nomeado ministro das Relações Exteriores em maio de julho de 2016. Ele é acusado de ter cometido graves erros diplomáticos antes de renunciar dois anos depois por suas divergências sobre a estratégia do Brexit. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO 

 

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