Department of State / Washington Post
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Braço direito de Kim Jong-un se reúne com Pompeo para preparar cúpula com Trump

Ao sair do jantar, o secretário de Estado americano disse que o encontro ‘foi genial’; outras duas reuniões estão programadas para esta quinta-feira

O Estado de S.Paulo

31 Maio 2018 | 05h50
Atualizado 31 Maio 2018 | 11h11

WASHINGTON - O braço direito de Kim Jong-un, o general Kim Yong-chol, e o chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, jantaram na quarta-feira, 30, em Nova York, em um encontro destinado a preparar a cúpula entre o presidente americano, Donald Trump, e o líder norte-coreano.

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Trump disse nesta quinta-feira, 31, que espera receber uma mensagem de Kim. "Estou ansioso para ver o que diz a carta. Eles provavelmente virão a Washington na sexta-feira para entregá-la, então estou ansioso por isto", disse o republicano. Ele também afirmou que as reuniões entre Pompeo e Kim Yong-chol, retomadas nesta manhã, "vão muito bem".

Os dois homens, que já haviam se reunido duas vezes na Coreia do Norte, tiveram um encontro em um prédio próximo à sede da ONU. Pompeo esteve acompanhado por Andrew Kim, chefe da seção para a Coreia do Norte da CIA. Depois, ele e o general participaram de um jantar de trabalho no apartamento de um diplomata americano no leste de Manhattan, que durou aproximadamente uma hora e meia. Para esta quinta-feira, estão programadas outras duas reuniões.

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Ao sair do jantar, Pompeo disse a jornalistas que o encontro "foi genial" e afirmou que comeram "carne americana". O general Kim Jong-chol é o representante de mais alto nível da Coreia do Norte a pisar em solo americano nos últimos 18 anos, desde a visita do vice-marechal Joe Myong Rok, que se reuniu em 2000 com o então presidente Bill Clinton.

O objetivo dos encontros será a conclusão do planejamento da cúpula prevista para o dia 12 de junho em Cingapura, e acelerar os preparativos, uma semana depois de Trump ter escrito a Kim Jong-un para comunicar a suspensão da cúpula em razão da "hostilidade" do governo norte-coreano. Kim Yong-chol é vice-presidente do comitê central do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte, e de 2009 a 2013 esteve à frente do serviço de espionagem do país.

Desnuclearização

Kim Yong-chol é alvo de sanções americanas desde 2010. Para sua chegada a Nova York, elas provavelmente foram suspensas. "Imagino que o necessário tenha sido feito", limitou-se a comentar sobre o assunto a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert.

No domingo, os negociadores americanos, liderados pelo embaixador de Washington nas Filipinas, Sung Kim, começaram a se reunir com seus homólogos norte-coreanos em Panmunjom, na zona desmilitarizada que separa as duas Coreias.

Washington exige de Pyongyang uma "desnuclearização completa, verificável e irreversível" antes de qualquer suspensão das sanções internacionais que afetam a Coreia do Norte em represália por seus programas nuclear e balístico. Mas o país nunca aceitou pagar esse preço, considerando seu arsenal uma garantia da sobrevivência do regime.

Kim Yong-chol desempenhou um papel importante na aproximação diplomática que levou à distensão na península coreana nos últimos meses. Em fevereiro, na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos da Coreia do Sul, estava sentado atrás de Ivanka, filha de Donald Trump. Além disso, acompanhou Kim Jong-un em suas duas viagens recentes à China.

O general é uma figura muito controvertida na Coreia do Sul, onde o acusam de ter autorizado o ataque, em 2010, contra a corveta sul-coreana "Cheonan", incidente no qual 46 marinheiros morreram. A Coreia do Norte nega ser responsável pelo caso.

Rússia

Kim Jong-un elogiou nesta quinta-feira a política do presidente da Rússia, Vladimir Putin, "para resistir à hegemonia dos EUA", e o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, o convidou para visitar o Kremlin. "Aprecio muito que o presidente Putin resista à hegemonia dos EUA. Os senhores atuam com decisão e nós estamos prontos para trocar opiniões com Moscou com relação à situação na península coreana", disse Kim, no início de sua reunião, em Pyongyang, com o chanceler russo.

Lavrov, por sua parte, o convidou para visitar a Rússia, segundo o vídeo publicado no canal do Youtube do Ministério das Relações Exteriores russo. "Venha o senhor para a Rússia, ficaremos felizes em vê-lo", afirmou ele.

O líder norte-coreano destacou a primeira reunião com o chanceler russo, mas espera que este encontro sirva para estreitar ainda mais os laços entre Moscou e Pyongyang.  / AFP e EFE

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