Toby Melville/REUTERS
Toby Melville/REUTERS

Braço direito de Maduro critica visita de Angelina Jolie a refugiados venezuelanos

Para Diosdado Cabello, ao cobrir reunião da atriz com imigrantes no Peru, imprensa oculta caravana em direção aos EUA

O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2018 | 19h35

O deputado constituinte venezuelano Diosdado Cabello, braço direito do presidente Nicolás Maduro, acusou veículos de comunicação locais de aproveitarem a visita da atriz Angelina Jolie para desviar atenção da caravana de imigrantes que se dirige aos Estados Unidos. Nesta segunda-feira, 22, a artista se reuniu com um grupo de refugiados venezuelanos em Lima, no Peru.

Pelo Twitter, Cabello ironizou: “Luzes, câmera, ação: Angelina Jolie aparece para dar todo o seu ‘amor’ à caravana de venezuelanos no Peru, perdão, à diáspora venezuelana. Notícia oportuna para que os meios de comunicação de direita não falem dos imigrantes da América Central e do ‘amor’ com que serão recebidos nos EUA”.

Angelina Jolie chegou a Lima no domingo como enviada especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), para conhecer de perto a situação dos milhares de refugiados venezuelanos que deixaram o país por conta da severa crise socioeconômica.

“Jolie está realizando uma missão de três dias para avaliar as necessidades humanitárias dos refugiados venezuelanos e os desafios que o Peru enfrenta ao recebê-los”, afirmou o Acnur, em nota.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 2,3 milhões de pessoas nascidas na Venezuela vivem no exterior. Desse total, 1,9 milhão deixaram o país em 2015, quando a crise econômica se agravou. Só no Peru, estão 456 mil venezuelanos. Em 2016, esse número era de 6 mil.

Para Cabello, a cobertura midiática da visita de Jolie retira o foco do grupo de cerca de 7 mil imigrantes da América Central que se dirige aos Estados Unidos há mais de uma semana. A caravana, composta principalmente por hondurenhos, procura abrigo no território americano.

Após passarem duas noites no México, os imigrantes se preparam para reiniciar a viagem até a fronteira com os Estados Unidos, a cerca de 3 mil quilômetros de onde estão. O presidente dos EUA, Donald Trump, já disse que a entrada do grupo no país será proibida.

No sábado, 20, o chefe de Estado venezuelano, Nicolás Maduro, pediu a Trump que receba a caravana. “Que abra a fronteira dos Estados Unidos e respeite os imigrantes centro-americanos. (...) Vejo com dor o que está acontecendo”, disse. /AFP

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