Braço direito de presidente na área política perde poder

Fernández, retirado do comando da PF, agora deixa de controlar o programa de futebol e da publicidade oficial

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2011 | 00h00

Aníbal Fernández, chefe do gabinete de ministros da presidente Cristina Kirchner, estaria com os dias contados no governo. Braço direito da presidente na área política desde 2008 (e antes disso ministro do ex-presidente Néstor Kirchner), Fernández começou a perder poder no final do ano passado, desde que uma série de protestos sociais e mortes de manifestantes pela Polícia Federal (que estava sob o controle dele) provocaram nova perda de popularidade de Cristina. A presidente determinou então que a Polícia Federal não ficaria mais sob controle de Fernández.

Cristina criou a Secretaria de Segurança, onde colocou Nilda Garré, ex-ministra da Defesa, no comando. Nesta semana, Fernández ficou sem o controle do programa Futebol para Todos e o domínio da publicidade oficial. Desde o início da semana, sua queda é cogitada no âmbito político. Fernández relativizou ontem a redução de seu poder, indicando que as transmissões de futebol continuam, indiretamente, sob seu comando.

O cientista político Carlos Fara, da consultoria Carlos Fara e Associados, disse ao Estado que a redução de poder de Fernández está vinculada "à crescente forma de a presidente expressar um estilo próprio de governo, de olho na reeleição deste ano". Segundo Fara, Cristina "está marcando novas regras do jogo para o desempenho dos funcionários. Antes, ela tinha de negociar as decisões com seu marido. Depois da morte dele, em outubro, não precisa mais. Agora, a presidente prefere um estilo de menos confronto, pelo menos publicamente". Nos últimos meses, a presidente tem demonstrado vontade de trocar aliados experientes por jovens peronistas.

Enquanto o poder de Fernández diminui, cresce o do ministro de Planejamento Federal e Obras, Julio De Vido. Segundo analista, embora não tenha tido uma relação boa com o ministro, Cristina precisa de De Vido para manter o governo em funcionamento.

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