Brahimi pede mudanças 'reais' e transição na Síria

O enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi , pediu nesta quinta-feira "mudanças reais" no país, além da instalação de um governo de transição com plenos poderes até que possa ser realizada uma eleição.

AE, Agência Estado

27 de dezembro de 2012 | 09h52

Brahimi fez as declarações em Damasco, enquanto a Rússia, o maio poderoso aliado do governo sírio, negava a existência de um plano de paz conjunto com os Estados Unidos, em meio à agitação das atividades diplomáticas a respeito da crise neste final de ano.

"As mudanças não podem ser cosméticas. O povo sírio precisa e exige mudanças reais e todos compreendem o que isso significa", declarou o enviado no quinto dia de sua mais recente missão à Síria.

"Precisamos formar um governo com todos os poderes...que assuma o poder durante o período de transição e que o período de transição se encerre com as eleições", afirmou Brahimi aos jornalistas.

Ele não especificou uma data para as eleições, que podem ser presidenciais ou parlamentares, dependendo do acordo que for alcançado. Ele também não fez menção sobre o destino do presidente Bashar Assad, cujo mandato termina em 2014.

"O período de transição não deve levar ao colapso do Estado de se suas instituições", disse Brahimi. "Preferimos...um projeto sobre o qual os envolvidos tenham chegado a um acordo e, se não chegarem, a última solução é ir ao Conselho de Segurança (da ONU), que adotará uma resolução vinculativa."

O enviado especial não disse qual seria o papel de Assad no novo governo. Os rebeldes, que querem a queda do presidente recusam a permanência de Assad e dos integrantes de seu regime no novo governo. As declarações de Brahimi não foram alvo de comentários do governo sírio.

Brahimi, que durante o período que esteve em Damasco conversou com Assad, assim como com grupos opositores tolerados pelo regime, substituiu o ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, após sua renúncia em agosto, quando ele condenou o fracasso das principais potências em dar suporte a seu plano de paz de seis pontos. As informações são da Dow Jones e da Associated Press.

Mais conteúdo sobre:
SíriapolíticaBrahimi

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.