Brancos são expulsos de suas terras por Mugabe

Milícias ligadas ao governo já forçaram pelo menos 60 fazendeiros a abandonar propriedades, denuncia ONG

Associated Press, Harare, O Estadao de S.Paulo

09 de abril de 2008 | 00h00

Milícias ligadas ao governo do Zimbábue estão expulsando os fazendeiros brancos de suas terras, denunciaram ontem representantes dos proprietários de terras. Os bandos armados - formados principalmente por veteranos de guerra fiéis ao presidente Robert Mugabe - já obrigaram pelo menos 60 fazendeiros a abandonar suas propriedades. As ações começaram no sábado, mas foram intensificadas ontem, afirmou John Worsley Worswick, diretor do grupo Justiça pela Agricultura, que apóia fazendeiros zimbabuanos em Harare.''A situação está se deteriorando rapidamente'', afirmou Trevor Gifford, presidente de outra associação do setor. O fazendeiro Uys van der Westhuizen disse que fugiu de sua fazenda de tabaco no norte do país depois que 150 homens invadiram a propriedade, armados com facões e paus. Segundo as denúncias, a polícia não está ajudando a proteger as propriedades.Os veteranos - que lutaram na guerra de independência juntamente com Mugabe - são os maiores aliados do presidente, que já age como se estivesse em campanha para o segundo turno, apesar de não ter sido divulgado o resultado oficial da votação do dia 29. Seus partidários já admitem que ele não conseguiu a maioria absoluta necessária para ser eleito no primeiro turno.Uma das medidas de Mugabe para intimidar a oposição e ganhar força é espalhar rumores de que a redistribuição de terras promovida por ele em 2000 será revertida e os zimbabuanos perderão suas propriedades. No fim de semana, Mugabe pediu à população que defenda suas terras, ao mesmo tempo que milícias começaram a invadir as poucas fazendas que ainda estão nas mãos de brancos.A oposição voltou a acusar Mugabe de orquestrar uma campanha de violência e fez um apelo a líderes africanos para que intervenham no impasse em que se transformou a eleição presidencial.A oposição, que fez uma contagem de votos paralela, garante que seu candidato, Morgan Tsvangirai, venceu já no primeiro turno, com 50,3% dos votos. ''Estamos preocupados com o silêncio na região'', disse Tendai Biti, secretário do opositor Movimento pela Mudança Democrática, referindo-se à União Africana. ''Peço a nossos irmãos no continente: não esperem por corpos nas ruas de Harare.''Um dos líderes africanos que responderam ao apelo foi Jacob Zuma, líder do partido governista da África do Sul e provável sucessor do presidente Thabo Mbeki. Ele criticou a demora na divulgação dos resultados da votação.

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