Alexandre Meneghini/AP
Alexandre Meneghini/AP

Brasil acata, na ONU, governo interino líbio

Na Assembleia-Geral, País vota em favor de ex-rebeldes assumirem representação

, O Estado de S.Paulo

17 Setembro 2011 | 00h00

TRÍPOLI

O Conselho Nacional de Transição (CNT) da Líbia herdou ontem a vaga da Líbia na ONU. A medida foi aprovada por 114 votos a favor, 17 contra e 15 abstenções. Ao votar a favor da medida, o Brasil reconheceu a legitimidade do novo governo líbio. Os rebeldes têm agora o direito de nomear diplomatas para representar o país nas Nações Unidas.

O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse em várias ocasiões que o governo aguardaria a posição da ONU para definir a posição do País a respeito do CNT. No entanto, o voto favorável pode ser considerado um reconhecimento tácito da legitimidade do governo rebelde.

A votação de ontem foi marcada pela forte oposição ao reconhecimento dos rebeldes por parte dos países da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba). Entre os 17 votos contrários estavam Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua e Cuba. Alguns países africanos, como Angola, Zimbábue, Malavi e Quênia, também votaram contra.

O embaixador venezuelano na ONU, Jorge Valero, disse que os países da Alba rejeitam "a autoridade de transição ilegítima imposta pela intervenção estrangeira" e qualquer tentativa de transformar a Líbia em um "protetorado da Otan ou do Conselho de Segurança".

Cumprimentos. Abdurrahman Shalgham, atual embaixador da Líbia na ONU, deve ser mantido no cargo. Em fevereiro, a deserção de Ibrahim Dabbashi, seu braço direito, provocou uma onda de defecções de diplomatas líbios para o campo rebelde. Logo em seguida foi a vez de Shalgham, um ex-chanceler e aliado de Kadafi, anunciar seu apoio ao CNT.

A primeira mensagem de felicitações veio dos EUA. Susan Rice, embaixadora do país na ONU, deu boas-vindas ao novo governo líbio e prometeu que Washington será "amigo e parceiro" de Trípoli. A Casa Branca informou ainda que presidente Barack Obama se reunirá na terça-feira com o líder do CNT, Mustafa Abdul Jalil.

Em outra votação, o Conselho de Segurança da ONU aprovou ontem por unanimidade uma nova missão à Líbia e o desbloqueio dos fundos de duas importantes empresas de petróleo do país. A resolução também acabou com a proibição de voos realizados por aviões líbios e muda as regras do embargo de armas imposto a Trípoli. O texto, no entanto, manteve a zona de exclusão aérea decretada em março.

Avanço rebelde. Tropas do Conselho Nacional de Transição (CNT) da Líbia intensificaram ontem os ataques à cidade de Bani Walid, um dos últimos redutos kadafistas, a 170 quilômetros de Trípoli. Em outra frente de batalha, os rebeldes continuam o cerco a Sirte, cidade natal de Muamar Kadafi, a 360 quilômetros da capital.

Em Bani Walid, os rebeldes chegaram a invadir a cidade e entrar em áreas residenciais com picapes carregadas de armas pesadas. Segundo oficiais do CNT, eles conseguiram estabelecer bases no coração da cidade, mas tiveram de bater em retirada no início da noite após contra-ataque de forças leais a Kadafi.

"De nada serve manter posições durante a noite em um ambiente hostil", disse Mahmoud Shammam, porta-voz do CNT, em referência ao fogo pesado enfrentado pelos rebeldes. Segundo ele, pelo menos seis soldados morreram nos confrontos de ontem na região.

Em Sirte, as forças do CNT atacaram os kadafistas perto do aeroporto, enquanto negociações para a rendição continuavam nos arredores da cidade. Mohamed Darratt, porta-voz dos rebeldes, afirmou que Sirte cairá hoje nas mãos do CNT.

"Já não há mais tanta resistência na cidade e nada que impeça o avanço dos rebeldes", disse Darratt. Ele informou que 11 pessoas morreram, 34 ficaram feridas e 40 soldados de Kadafi foram capturados. / REUTERS, NYT e AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.