Brasil acerta na política monetária e erra na fiscal, diz BofAML

O Banco Central do Brasil reagiu apropriadamente para conter a alta da inflação no país, mas a política de gastos do governo deixa muito a desejar, afirmou neste domingo o estrategista para mercados emergentes do Bank of America Merrill Lynch, Alberto Ades.

AE, Agência Estado

27 de março de 2011 | 18h20

A inflação, que ameaça ficar acima da meta do BC em 6,5%, é um problema muito menor para o Brasil do que para outros países da região, e grande parte dessa inflação está relacionada muito mais com a liquidez global do que com assuntos domésticos, avalia Ades. "No momento, não existe muito que o BC possa fazer", afirmou o economista durante entrevista em Calgary, Alberta, onde acontece a reunião anual do Banco de Desenvolvimento Interamericano (BID). "A questão não é se os BCs estão agindo muito lentamente, mas se deveriam ter iniciado o ciclo de aperto mais cedo", questiona Ades.

O Brasil elevou a taxa básica de juros para 11,75% em março, o que já havia ocorrido nas duas reunião anteriores este ano, e economistas avaliam que os juros básicos podem chegar a 12,50% no final deste ano. "A região precisa apertar a política fiscal e isso não está ocorrendo na América Latina", afirmou Ades. Para o economista, a fartura das commodities está elevando a arrecadação que, por sua vez, está sendo consumida. "A política precisa incluir algum tipo de contenção fiscal", argumenta Ades.

Ades criticou a eficácia de longo prazo dos controles de investimentos estrangeiro. O Brasil elevou o imposto sobre a compra de ativos pelos investidores estrangeiros como uma forma de conter a apreciação do real em relação ao dólar. Pelos cálculos de Ades, o movimento provavelmente deve manter o real em torno de R$ 1,65 por dólar, ao invés de permitir que a moeda se fortaleça a R$ 1,50 por dólar.

Embora os investidores possam pensar duas vezes antes de investir no Brasil, os ganhos de longo prazo das commodities e os juros baixos nas economias desenvolvidas irão elevar o fluxo de capital para o Brasil. "Sabemos que os controles de capital funcionam por um tempo, mais se houver lucro a ser realizado eles serão calculados dentro desse ambiente", lembrou Ades.

Ades avalia que a se expansão das commodities durar apenas seis meses ou um ano, justifica usar os controles de capital para reduzir a volatilidade, mas parece que a expansão vai durar anos e os controles de capital não serão eficazes, admitiu ele. As informações são da Dow Jones.

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