AP Photo/Fernando Llano
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Brasil cobra Maduro por proteção a parlamentares e aponta 'situação autoritária'

Itamaraty divulgou nota dizendo que acompanha a situação no país vizinho 'com preocupação' após chavistas cercarem o prédio da Assembleia Nacional; Brasília também condenou protesto de policial contra presidente venezuelano

Lu Aiko Otta, Brasília, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2017 | 15h11
Atualizado 28 de junho de 2017 | 17h43

BRASÍLIA - A escalada das tensões na Venezuela é acompanhada com "muita preocupação" pelo governo brasileiro, diz nota divulgada nesta quarta-feira, 28, pelo Ministério das Relações Exteriores. Em um tom duro, o documento repudia "o assédio cometido por grupos paramilitares contra o Congresso venezuelano" e diz que cumpre ao governo de Nicolás Maduro "assegurar o mais absoluto respeito à integridade física dos congressistas, garantir a imunidade parlamentar e proceder à imediata restauração das competências da Assembleia Nacional."

Na véspera, grupos leais ao presidente Maduro cercarem a Assembleia Nacional (AN), impedindo a saída de deputados da oposição. 

A nota diz ainda que a "violação sistemática do princípio da independência dos poderes é uma das provas mais ostensivas da situação autoritária em que vive a Venezuela".

Em seu posicionamento, o governo brasileiro também condenou o lançamento de granadas contra o Tribunal Supremo de Justiça. Na noite da terça-feira, um inspetor da polícia científica sobrevoou a sede do TSJ em um helicóptero da corporação com uma mensagem pela "liberdade" do país.

A nota do Itamaraty se alinha com declarações dadas na terça pelo ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, em reunião conjunta das comissões de Relações Exteriores e de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Nesse encontro, o ministro disse recear que a situação da Venezuela "descambe para uma guerra civil" e voltou a alertar sobre o risco de tráfico de armas na fronteira com o Brasil. Registrou, também, a situação dos migrantes "famélicos" que chegam ao País, e já somam 14 mil. "É uma situação que pode facilmente fugir ao controle", comentou.

O ministro disse que o Brasil tem incentivado, nos foros internacionais, a ideia da criação de um grupo de países amigos da Venezuela para tentar incentivar o diálogo entre governo e oposição. Para Aloysio, uma possibilidade seria trazer um país europeu neutro, como foi o caso da Noruega na intermediação entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

A instalação da Assembleia Constituinte na Venezuela "pode levar a uma situação irreversível, uma exacerbação ao infinito", avaliou o ministro.  Não por acaso, explicou ele, as discussões na Organização dos Estados Americanos (OEA) focaram nesse ponto. Essa é também uma das principais reivindicações das manifestações da oposição. A repressão violenta aos atos tem provocado, em média "um morto por dia".

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