Brasil ajudará Venezuela com Grupo de Amigos, diz Garcia

A participação do Brasil na busca por uma solução para a crise venezuelana deve crescer a partir de segunda-feira. Segundo o professor Marco Aurélio Garcia, enviado especial do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, a Caracas, o Brasil ajudará o pais vizinho na sondagem de outros países para participar do chamado Grupo de Amigos da Venezuela, de apoio ao presidente venezuelano, Hugo Chávez. Chávez toma café da manhã com Lula no dia 2 de janeiro, e o Grupo de Amigos deve ser o tema central do encontro. Garcia afirmou que é interesse do governo Lula, uma vez sanada a crise, discutir a participação da Venezuela no Mercosul. Chávez, em ocasiões anteriores, também já demonstrou o interesse venezuelano em participar do bloco do Cone Sul. De acordo com Garcia, que retornou hoje ao Brasil depois de quatro dias na Venezuela como observador da crise, o presidente Chávez já entrou em contato com Vladimir Putin, presidente da Rússia, Jacques Chirac, presidente da França e Ricardo Lagos, do Chile, solicitando participação no grupo. Garcia não detalhou o resultado dos contatos de Chávez com os europeus, mas afirmou que Ricardo Lagos e Alvaro Uribe, da Colômbia, já demonstraram apoio ao Grupo de Amigos. A idéia para a formação do grupo surgiu durante jantar na sexta-feira, com Chávez, do qual Garcia participou. O futuro assessor especial de Lula para assuntos internacionais reiterou que o governo Lula vai ajudar o presidente constitucional da Venezuela. Chávez pediu ao Brasil, por meio de Garcia, o envio para a Venezuela de um navio com gasolina; de um tanqueiro grande, vazio, para retirar o petróleo cru armazenado na petrolífera PDVSA e levá-lo para Curaçao e Saint Croix, onde a estatal venezuelana de petróleo tem refinarias; e de técnicos brasileiros que possam operar barcos e instalações da empresa. Segundo Garcia, se a Petrobras e a PDVSA não entrarem em acordo sobre a ajuda nos próximos dias, o governo Lula deverá influir nas decisões da Petrobras em favor da Venezuela. "As demandas venezuelanas são legítimas e economicamente sustentáveis no curto, médio e longo prazos. A ajuda é um investimento do Brasil, a questão do petróleo é um interesse nacional", afirmou. Na semana que vem, depois que Lula e Chávez tiverem detalhado a ajuda do Brasil, o Itamaraty deverá aguardar contatos do ministério venezuelano das Relações Exteriores para iniciar a sondagem de países para participar do Grupo de Amigos da Venezuela. A ajuda do Brasil à Venezuela, segundo Garcia, reforça os interesses do País no petróleo venezuelano. É de interesse brasileiro a formação de uma parceria Petrobras/PDVSA para produção de petróleo na Venezuela, por meio da Braspetro. No entanto, essa união só será possível com a solução da crise venezuelana, que tem origem na estatal petrolífera. Para Garcia, ou Chávez resolve a falta de transparência nas operações da PDVSA ou não poderá mais governar o país. A PDVSA fatura US$ 50 bilhões ao ano, e não se sabe como os recursos são gastos. "A estatal, bem como os meios de comunicação da Venezuela, são hoje verdadeiros partidos políticos", afirmou. Para o enviado especial de Lula, a retomada do petroleiro Pilín León, por parte do governo, foi uma derrota simbólica muito grande para a oposição e mostra que Caracas está na ofensiva. Para ele, ainda assim, a situação no pais vizinho é grave, pode piorar no curto prazo e levar a um banho de sangue.

Agencia Estado,

23 Dezembro 2002 | 18h24

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