Brasil aplica intervenção branca na organização

Cenário: Denise Chrispim Marin

O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2011 | 03h04

Chamado a Brasília como sinal de contrariedade do governo brasileiro com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, o embaixador Ruy Casaes retornou à missão do Brasil junto à Organização dos Estados Americanos (OEA) no final de novembro. Mas destituído da atribuição de se reportar ou de apresentar na OEA. Essa intervenção branca na missão é apenas uma das represálias aplicadas pelo Brasil contra a organização.

O retorno de Casaes tem sido tratado como uma das situações mais bizarras da história da diplomacia brasileira. A rigor, o Brasil continua a ser representado no Conselho Permanente da OEA pelo conselheiro José Wilson Moreira e pelo primeiro-secretário Michel Arslanian. Os demais países, em geral, enviaram embaixadores. Em diplomacia, apresentar um interlocutor de menor rango hierárquico equivale a uma mensagem de desprestígio.

Desde a emissão da medida cautelar da CIDH contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte, em abril, episódios similares têm surgido. O mais estranho ocorreu durante a visita a Brasília de Adam Blackwell, secretário para Segurança Multidimensional da OEA, em meados de setembro. Apesar de ser portador de uma carta na qual a CIDH revia a medida cautelar contra Belo Monte, Blackwell não chegou a ser atendido nem mesmo pelo ministro da Justiça, que repassou a atribuição a seu secretário executivo.

Em novembro, a reunião de ministros sobre Segurança nas Américas contou com a participação de formuladores de políticas públicas dessa área, entre eles o procurador-geral dos EUA, Eric Holder. O Brasil enviou somente o diretor executivo da PF, Paulo de Tarso Teixeira.

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