Brasil apoia condenação da Síria na ONU

Posição brasileira agradou americanos e europeus; moção foi aprovada pela Assembleia-Geral

Gustavo Chacra, correspondente

22 de novembro de 2011 | 15h55

NOVA YORK - Com o apoio do Brasil, a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) condenou a Síria nesta terça-feira, 22, por violação dos direitos humanos durante a repressão do regime aos levantes opositores iniciados há oito meses. Foram 122 votos a favor, 13 contra e 41 abstenções. O Brasil apoiou a decisão.

 

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A condenação é mais um sinal do isolamento do regime sírio, que já foi suspenso da Liga Árabe. A resolução, porém, tem menos peso do que uma ação do Conselho de Segurança, onde Bashar Assad ainda conta com o apoio da Rússia e da China. Estes países, que possuem interesses comerciais e militares na Síria, vetaram no início de outubro uma resolução no órgão máximo da ONU condenando o regime de Damasco. Tal posição deve ser mantida se o tema voltar ao conselho.

 

Na primeira vez em que a resolução foi a votação no conselho, o Brasil optou pela abstenção. Desta vez, na assembleia, a administração de Dilma Rousseff decidiu votar em acordo com os Estados Unidos e seus aliados europeus na condenação à Síria.

 

Durante a manhã, o voto dos brasileiros era considerado um mistério para diplomatas estrangeiros. Inclusive, minutos antes da votação, o Brasil se absteve em uma moção para impedir que a resolução fosse levada a plenário. Esta posição parecia indicar uma abstenção também na condenação aos sírios, como havia feito em relação ao Irã no dia anterior. No fim, o voto do Brasil provocou uma surpresa e agradou aos Estados Unidos e à União Europeia.

 

A administração de Dilma Rousseff, que havia optado por se abster no conselho, decidiu votar a favor na assembleia, onde o peso da resolução tem menos força, possuindo apenas um caráter simbólico. "O voto do Brasil foi um passo positivo e precisa ser notado", disse um diplomata ocidental ao Estado. Os brasileiros vinham mantendo uma posição distinta dos Estados Unidos e seus aliados europeus em quatro dos principais temas envolvendo a ONU neste ano - Líbia, Síria, Palestina e Irã.

 

A embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, celebrou o resultado da votação ao dizer que as "Nações Unidas se levantou em defesa do povo da Síria e contra o regime de Assad que tem tentado silenciar os dissidentes através de assassinatos, prisões arbitrárias e tortura de civis, incluindo crianças".

 

O texto pede que as autoridades sírias cumpram com as suas obrigações internacionais e cooperem integralmente com a Comissão de Inquérito estabelecida pela Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra.

 

Apoio a Assad

 

Apesar da derrota, os sírios ainda mantêm apoio em diferentes partes do mundo, especialmente do movimento dos não-alinhados. Os representantes da Venezuela, Cuba, Nicarágua, Irã e Vietnã discursaram em defesa de Assad.

 

Segundo o embaixador da Síria na ONU, Bashar Jaafari, "a resolução faz parte de uma política dos EUA contra os sírios". O representante de Damasco ainda disse ter documentos provando supostos planos dos EUA para matar Assad. Nos debates anteriores à votação, o embaixador da Síria atacou a Arábia Saudita, ironizando a monarquia de Riad por apoiar uma resolução de direitos humanos. "Como eles podem nos condenar quando levamos em conta a forma como eles tratam as minorias religiosas e as mulheres", questionou o representante sírio.

 

Até agora, as forças de segurança da Síria já mataram 3,5 mil pessoas na repressão à oposição. As milícias opositoras, por sua vez, são responsáveis por mais de mil mortes de membros das forças de segurança. O governo de Assad culpa "grupos armados e terroristas" pela onda de violência no país. 

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