Brasil apóia solução diplomática para Iraque

Em discurso que fará na abertura da reunião da Assembléia Geral da ONU, o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, vai apresentar a posição do Brasil em apoio a uma solução diplomática no âmbito do Conselho de Segurança da ONU para a situação de tensão entre Estados Unidos e Iraque. Lafer falará aos demais líderes mundiais às 11h15, pelo horário de Brasília, antes do discurso do presidente norte-americano, George W. Bush, à Assembléia da ONU, às 11h30."O uso da força no plano internacional somente pode ser admitido se esgotadas todas as alternativas de solução diplomática", afirma Lafer, segundo discurso distribuído à imprensa antes do início do evento. "A força somente pode ser exercida de acordo com a Carta das Nações Unidas e de modo consistente com as deliberações do Conselho de Segurança. Do contrário, estará solapada a credibilidade da Organização, dando margem não apenas à ilegitimidade, mas também a situações de equilíbrio precário e não duradouro", afirma o ministro.Conselho de Segurança da ONU deve decidir sobre IraqueO Brasil se opõe à posição dos EUA, que já manifestaram a intenção de um ataque mesmo sem uma resolução aprovada pela ONU. A postura adotada recentemente pelo governo norte-americano é de um "ataque preventivo", ou seja, o governo Bush defende ação diante de ameaça, mais do que retaliação a um eventual ataque. "No caso específico do Iraque, o Brasil sustenta que cabe ao Conselho de Segurança decidir as medidas necessárias para assegurar o pleno cumprimento das resoluções pertinentes.?O exercício pelo Conselho de Segurança de suas responsabilidades constitui a forma de desanuviar tensões e evitar riscos imprevisíveis de desestabilização mais abrangente", afirma Lafer. Ele defende que o Conselho de Segurança precisa ser reformado de modo a aumentar sua legitimidade e criar bases mais sólidas para a cooperação internacional na construção de uma ordem internacional justa e estável."Deve ser parte essencial da reforma a expansão do número de membros tanto na categoria de permanentes, quanto de não permanentes", diz o ministro. Segundo ele, o Brasil já manifestou que está pronto a dar a sua contribuição para o trabalho do Conselho de Segurança e assumir todas as suas responsabilidades. Na conclusão de sua fala, Lafer dirá que a ONU é peça essencial da criação de uma governança global para a distribuição mais eqüitativa dos benefícios da paz e do progresso.Lafer apóia criação de estado palestino democráticoAlém de defender uma solução diplomática para a ameaça de conflito entre Estados Unidos e Iraque, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Lafer, falará que o Brasil apóia a criação de um Estado palestino democrático, seguro e economicamente viável, "assim como o direito do povo palestino à auto-determinação". Lafer afirmará também que o Brasil defende o direito à existência do Estado de Israel dentro de fronteiras reconhecidas e o de seu povo viver em segurança. "Ambas são condições essenciais para uma paz duradoura no Oriente Médio", observa o ministro.Além do tema Iraque e Oriente Médio, Lafer falará sobre os temas globalização e protecionismo. "Muitos países e regiões têm permanecido alijados dos benefícios da economia globalizada, arcando apenas com seus custos ", diz o discurso de Lafer. Segundo ele, a mesma circulação livre de capitais que pode gerar investimento é responsável pelo ataque especulativo às moedas nacionais e pelas crises de balanço de pagamentos com conseqüências negativas para a continuidade das políticas públicas e para o resgate da dívida social."O protecionismo e toda a sorte de barreiras ao comércio, tarifárias ou não tarifárias, continuam a sufocar a economia dos países em desenvolvimento e neutralizar a competitividade de seus produtos", afirma Lafer. "A liberalização do setor agrícola não tem passado de uma promessa, sempre adiada para futuro incerto. A globalização requer reforma das instituições econômicas e financeiras e não pode limitar-se ao triunfo do mercado", diz.

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