Brasil aposta em apoio da ONU para convencer europeus

O governo brasileiro prepara o lançamento de uma ação mais abrangente na ONU contra a espionagem do governo dos EUA, mas enfrenta dificuldades. Diplomatas estrangeiros afirmaram ao Estado que os países europeus hesitam em assumir um papel mais claro na esfera diplomática. Publicamente, criticaram nesta semana a ação dos americanos, diante de revelações de que os EUA espionaram franceses, espanhóis e até o papa Francisco. Mas nas salas de reunião, assumem uma posição tímida. Em recente entrevista, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, deu o tom: "não adianta bater na mesa".

Bastidores: Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2013 | 02h06

Ontem, a embaixadora brasileira na ONU, Regina Dunlop, reuniu-se com a alta-comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, para debater estratégias sobre o assunto. Um dos projetos em debate é a criação de um código de conduta para evitar que a espionagem viole direitos humanos e a suposta luta contra o terrorismo mine a privacidade. A prioridade do governo brasileiro é garantir que uma resolução em debate na Assembleia-Geral da ONU em Nova York seja aprovada, com o apoio da Alemanha.

A embaixador a disse que a ação brasileira nos EUA é o começo da ofensiva. Se o texto for aprovado, o Itamaraty levará o assunto a organismos especializados da ONU para garantir uma ação mais direta. No Conselho de Direitos Humanos, uma segunda ação visaria a proteção da privacidade e da liberdade de expressão. Outra opção é reforçar o debate na União Internacional de Telecomunicações, que lida com as novas tecnologias.

O Brasil aposta no peso de Pillay, que demonstrou seguir uma linha parecida à brasileira. Segundo a embaixadora, Pillay falou longamente do discurso que a presidente Dilma Rousseff proferiu na Assembleia-Geral, no qual atacou a espionagem. "Esse é um reconhecimento à abordagem do Brasil", disse a embaixadora.

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