Brasil atua para reverter golpe em Honduras

Amorim busca estratégia que dê ao País papel central na recondução de Zelaya ao poder

Denise Chrispim Marin, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

29 de junho de 2009 | 00h00

O governo brasileiro mobilizou-se desde a manhã de ontem para se opor ao golpe de Estado em Honduras e, especialmente, para pressionar em favor da recondução de José Manuel Zelaya à Presidência hondurenha. Além de emitir uma nota de dura condenação ao episódio, o Itamaraty instruiu o embaixador na Costa Rica, Tadeu Valadares, a apresentar o apoio brasileiro a Zelaya, assim que desembarcasse em San José.Em Washington, o embaixador do Brasil junto à Organização dos Estados Americanos (OEA), Ruy Casaes, recebeu ordem de não permitir que o organismo suspenda sua reunião para tratar do tema antes de emitir uma veemente condenação ao golpe.A orquestração partiu do próprio ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que se encastelou no Itamaraty desde que recebeu a notícia de Tegucigalpa. Ao chanceler coube a tarefa de montar um esquema capaz de colocar o Brasil no centro do desmantelamento do golpe. Amorim determinou ao embaixador Valadares que deixasse claro a Zelaya a decisão do Brasil de exercer toda a pressão necessária para seu retorno a Honduras. Também avisou Casaes que a OEA tem de se manter em reunião permanente, até que haja a recuperação da ordem institucional em Honduras. O embaixador brasileiro em Tegucigalpa, Brian Michael Fraser Neele, que não estava no país até a manhã de ontem, recebeu instruções para retornar imediatamente a Honduras. A crise fora acompanhada pelo encarregado de negócios, ministro Francisco Catunda Resende. Durante a manhã, Amorim conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por meio de nota divulgada pelo Itamaraty, o governo brasileiro evitou as expressões "golpe de Estado", para se referir ao movimento militar que derrubou o presidente de Honduras, e "sequestro", ao tratar da forma como Zelaya foi arrancado da residência oficial e conduzido arbitrariamente, em helicóptero, para a Costa Rica. O texto condena de "forma veemente" a retirada de Zelaya do Palácio Presidencial e sua "condução para fora do país" e "conclama" pela sua reposição "imediata e condicional" a suas funções. "Ações militares desse tipo configuram atentado à democracia e não condizem com o desenvolvimento político da região", acentua a nota. "Eventuais questões de ordem constitucional devem ser resolvidas de forma pacífica, pelo diálogo e no marco da institucionalidade democrática." Ontem, em meio à eleição parlamentar argentina, a presidente Cristina Kirchner declarou que o golpe de Estado em Honduras significa "o retorno da barbárie na América Latina". Cristina informou que instruiu seu chanceler, Jorge Taiana, a manter contatos para a convocação da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e do Grupo do Rio para que as entidades pressionem pela recondução de Zelaya à presidência. Concentrada nas eleições, a chancelaria argentina não havia emitido nenhuma nota oficial sobre o golpe em Honduras.

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