Brasil bloqueou bens de Bin Laden antes dos EUA

Com um decreto de 19 de fevereiro deste ano, o Brasil se antecipou aos Estados Unidos e decretou o bloqueio dos bens, no País, de Osama bin Laden e seus seguidores.O governo atendeu a uma solicitação da Organização das Nações Unidas (ONU), que também pedia sanções diplomáticas e financeiras contra o Taleban, o regime que estaria dando proteção ao principal suspeito dos atentados nos Estados Unidos. No decreto 3.755, pelo menos três artigos referem-se ao suposto terrorista árabe, hoje o inimigo número um dos americanos e o mais procurado no mundo.O de número quatro bloqueia recursos financeiros de Bin Laden e de empresas, associações ou pessoas ligadas a ele. O artigo sete também atinge diretamente pessoas, entidades ou empresas que financiarem o terrorista, já que proíbe arrecadação de fundos ou recursos financeiros em favor de Bin Laden. A medida tomada pelo governo brasileiro atende praticamente a todas as solicitações feitas pelo presidente americano, George W. Bush, inclusive em relação às possíveis 27 entidades não-governamentais que auxiliariam o terrorista árabe, hoje radicado supostamente no Afeganistão. E, desde fevereiro, quando o decreto foi assinado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, as autoridades brasileiras vêm investigando possíveis bens de Osama bin Laden ou de alguns de seus seguidores no País.Até agora, no entanto, nada foi encontrado que seja ligado ao suspeito dos atentados nos Estados Unidos.Somente existem indícios de que integrantes da comunidade árabe na fronteira podem ter auxiliado financeiramente grupos extremistas do Oriente Médio, aparentemente sem ligação com os ataques ao World Trade Center, em Nova York, e ao Pentágono, em Washington, no último dia 11. "Estamos fazendo monitoramentos, mas até agora não temos nada", afirma a presidente do Conselho de Controle de Ativididades Financeiras (Coaf) do Ministério da Fazenda, Adrienne Senna. Segundo ela, que coordena os trabalhos relacionados com investigações sobre lavagem de dinheiro no País, pelo fato de o Brasil ter fiscalização nesta área, os terroristas podem preferir usar países onde este tipo de atividade não seja crime. As investigações no Brasil estão centralizadas na Coordenação de Inteligência da Polícia Federal, e nem mesmo integrantes do Gafisud - sigla inglesa do Grupo de Repressão à Lavagem de Dinheiro na América do Sul - têm acesso a elas quando as suspeitas recaem sobre atividades ligadas ao terrorismo. O procurador-geral de Justiça do Paraguai, Marcos Alcaraz, confirma que a tríplice fronteira é uma região sob suspeita no aspecto financeiro. "Há suspeitas, sim, de que a área pode estar servindo de suporte financeiro para o terrorismo", disse Alcaraz, na semana passada.

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