REUTERS/Jorge Cabrera
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Brasil busca esclarecimentos sobre morte de estudante na Nicarágua

Itamaraty condena uso excessivo da força pelo governo de Daniel Ortega e o 'aprofundamento da repressão' no país caribenho; nota do governo também expressa condolências à família de Raynéia Gabrielle Lima

Lu Aiko Otta, Julia Lindner e Tânia Monteiro / Brasília, O Estado de S.Paulo

24 Julho 2018 | 14h02

BRASÍLIA - O governo brasileiro recebeu com "profunda indignação" a notícia da morte da estudante brasileira Raynéia Gabrielle Lima, ocorrida na noite de segunda-feira em Manágua, e busca esclarecimentos junto ao governo nicaraguense, informou o Itamaraty, em nota.  O documento também expressa condolências à família da jovem e condena o uso excessivo da força na repressão ao protestos que ocorrem naquele país.

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"Diante do ocorrido, o governo brasileiro torna a condenar o aprofundamento da repressão, o uso desproporcional e letal da força e o emprego de grupos paramilitares em operações coordenadas pelas equipes de segurança, conforme constatado pelo Mecanismo Especial de Seguimento para a Nicarágua instalado para implementar as recomendações da Comissão Interamericana de Direitos Humanos", diz a chancelaria brasileira.

"Ao repudiar a perseguição de manifestantes, estudantes e defensores dos direitos humanos, o governo brasileiro volta a instar o governo da Nicarágua a garantir o exercício dos direitos individuais e das liberdades públicas." 

Em nota, o ministro de Relações Exteriores, Aloysio Nunes, cobrou o governo da Nicarágua a investigar e punir os responsáveis pela morte da morte da brasileira Raynéia Gabrielle Lima no país. Aloysio disse que o governo brasileiro recebeu a notícias com "profunda indigação". Ontem, Raynéia foi atingida por disparos em circunstâncias ainda desconhecidas em Manágua, capital do país centro-americano, que vive uma onda de protestos desde abril. 

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“Ao repudiar a perseguição de manifestantes, estudantes e defensores dos direitos humanos, o governo brasileiro volta a instar o governo da Nicarágua a garantir o exercício dos direitos individuais e das liberdades públicas. O governo brasileiro exorta as autoridades nicaraguenses a envidarem todos os esforços necessários para identificar e punir os responsáveis pelo ato criminoso", diz a nota divulgada no site de Aloysio e compartilhada no Twitter.

No México, o secretário-geral e ministro interino das Relações Exteriores, Marcos Galvão, também afirmou que o Brasil cobrou do governo da Nicarágua a investigação pela morte da estudante. "Estamos cobrando do governo nicaraguense apuração das responsabilidades pelo ocorrido e estamos também mobilizados para dar apoio à família e lidar com essa situação trágica que ocorreu hoje na Nicarágua", disse Galvão em Puerto Vallarta, México, onde acompanha o presidente Michel Temer em encontro entre países do Mercosul e da Aliança do Pacífico.

MAIS COBRANÇAS

O secretário-geral e ministro interino das Relações Exteriores, Marcos Galvão, afirmou que o Brasil cobrou do governo da Nicarágua a investigação pela morte da estudante brasileira Raynéia Gabrielle Lima. Ela foi morta a tiros na noite de ontem, 23, em Manágua, capital do país caribenho, que vive uma onda de protestos desde abril.

“Estamos cobrando do governo nicaraguense apuração das responsabilidades pelo ocorrido e estamos também mobilizados para dar apoio à família e lidar com essa situação trágica que ocorreu hoje na Nicarágua”, afirmou Galvão em Puerto Vallarta, México, onde acompanha o presidente Michel Temer em encontro entre países do Mercosul e da Aliança do Pacífico.

O secretário-geral das Relações Exteriores classificou como “trágica e violenta” a morte da brasileira e informou que o Itamaraty “está completamente mobilizado” para tratar do tema.

Em nota, o Itamaraty informou que o governo brasileiro condena “o aprofundamento da repressão, o uso desproporcional e letal da força e o emprego de grupos paramilitares em operações coordenadas pelas equipes de segurança, conforme constatado pelo Mecanismo Especial de Seguimento para a Nicarágua instalado para implementar as recomendações da Comissão Interamericana de Direitos Humanos". / Colaborou Beatriz Bulla, de Puerto Vallarta



 

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