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Brasil busca relações com democrata

Depois de ecoar queixas do ex-presidente Trump, Bolsonaro fez uma segunda concessão ao cumprimentar Biden pela posse 

Felipe Frazão  , O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2021 | 04h00

BRASÍLIA - A chegada de Joe Biden à Casa Branca provocará uma tentativa de reconstrução das relações entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos, com reflexos diretos na condução da política externa brasileira. Depois de ecoar queixas do ex-presidente Donald Trump, que denunciava supostas fraudes nunca comprovadas na eleição, Jair Bolsonaro fez uma segunda concessão ontem ao cumprimentar Biden pela posse como 46.º presidente dos EUA.

Até agora, porém, não houve contatos formais entre a embaixada e o Palácio do Planalto e o novo governo – até então de transição. A equipe de Biden evitou ao máximo qualquer relação com representantes de governos externos. Diplomatas da embaixada brasileira mantiveram apenas contatos informais e querem buscar reuniões de trabalho o quanto antes na Secretaria de Estado. 

A agenda de Biden é conflituosa com a de Bolsonaro principalmente nos temas do meio ambiente dos direitos humanos, que voltam a figurar entre as pautas prioritárias de Washington.

Bolsonaro foi representado em Washington na posse pelo embaixador Nestor Forster Junior, que serve há anos no país e é reconhecido pelos pares como conhecedor dos meandros da política americana. Em telegramas revelados pelo Estadão, porém, ele deu mais ênfase às reclamações de Trump ao longo da apuração eleitoral, e foi questionado por uma posição mais ideológica, próxima do escritor Olavo de Carvalho e influenciada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente.

Forster e sua equipe enfatizaram que contatos políticos com os partidos Democrata e Republicano são “rotina” no trabalho da embaixada, independentemente de quem esteja no poder, no Capitólio ou na Casa Branca.

Interesses

Reservadamente, embaixadores de alto escalão do Itamaraty avaliam que a Secretaria de Estado reconhece o profissionalismo dos quadros brasileiros. Eles afirmam que há interesses econômicos e comerciais, além de outras colaborações diversas, entre elas a militar, mais abrangentes do que eventuais divergências. 

Além disso, dizem que Biden não tem interesses em, ao se afastar completamente, abrir espaços para o avanço da influência chinesa na América Latina, um objetivo declarado do presidente Xi Jinping.

Num primeiro momento, no entanto, a relação e as tratativas devem se reduzir a um mínimo possível, atrapalhando, por exemplo, as conversas em prol de um almejado acordo comercial entre os países, alardeado pelo Ministério da Economia. Há desconfianças de lado a lado sobre como a relação pode se construir, por causa do choque de agendas, e quais atores poderão aproximar os presidentes.

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