Timur Matahari/AFP
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Brasil buscou vacinas dos EUA só depois de mobilização internacional

Governo brasileiro informou neste sábado, por meio do Itamaraty, que começou tratativas com os Estados Unidos sobre eventual importação de doses de vacinas contra covid-19 no dia 13 de março

Beatriz Bulla / Correspondente, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2021 | 16h03
Atualizado 20 de março de 2021 | 17h22

WASHINGTON - O governo brasileiro informou neste sábado, 20, por meio do Itamaraty, que começou tratativas com os Estados Unidos sobre eventual importação de doses de vacinas contra covid-19 no dia 13 de março. A movimentação do Brasil, portanto, aconteceu depois de requisição semelhante feita por outros países e também após a Casa Branca ser pressionada pela comunidade internacional para compartilhar doses paradas.

No dia 11 de março, o jornal The New York Times revelou que países haviam requisitado o excedente de vacinas de Oxford/AstraZeneca que não estão em uso. Segundo o jornal, autoridades do governo Biden discutiam a possibilidade de enviar doses ao Brasil, que é considerado o novo epicentro do coronavírus e um celeiro mundial de novas cepas. 

Um porta-voz da farmacêutica afirmou ao jornal americano que a empresa era favorável à ideia de a Casa Branca considerar o envio de doses a outros países. O México foi um dos países que pediu que os EUA emprestem doses de vacina que não estão em uso. A requisição dos mexicanos foi feita pelo presidente do país, Andrés Manuel López Obrador, no dia 1o de março, em reunião virtual com o presidente Joe Biden.

Em 12 de março, após a publicação do New York Times, o governo americano foi pressionado a responder se destinaria doses a países em necessidade em diferentes entrevistas coletivas sobre o assunto, por jornalistas da imprensa internacional. Segundo publicação do próprio governo brasileiro neste sábado, as tratativas do País com os EUA para se beneficiar de eventual compartilhamento de doses por parte dos americanos começaram no dia 13, portanto só após a ideia ser ventilada pela imprensa internacional, pela AstraZeneca e por outros países.

Na manhã deste sábado, o perfil do Itamaraty no Twitter publicou a seguinte mensagem: "Desde o dia 13/3 o Governo brasileiro, através do Itamaraty e da Embaixada em Washington, em coordenação com o Ministério da Saúde, está em tratativas com o Governo dos EUA para viabilizar a importação pelo Brasil de vacinas do excedente disponível nos Estados Unidos". 


Questionados pela reportagem sobre o atraso no início das tratativas, o Itamaraty afirmou que responderá oportunamente. O Ministério da Saúde, por sua vez, disse que a questão está na alçada da Casa Civil e do Itamaraty. 

A publicação aconteceu um dia após o presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), encaminhar carta à vice-presidente americana, Kamala Harris, com pedido de permissão para  comprar vacinas contra covid-19 estocadas e ainda sem previsão de aplicação nos Estados Unidos. Em ofício à vice-presidente americana, Kamala Harris, o senador justificou o pedido de "disponibilização emergencial" das vacinas reconhecendo que o Brasil é o "atual epicentro" da pandemia e que o avanço do novo coronavírus no País representa um risco ao Ocidente.

A Casa Branca anunciou nesta semana que tem 7 milhões de doses da vacina da AstraZeneca para entregar a outros países. Os imunizantes não estão em uso no país, pois ainda estão em fase de estudos. Na quinta-feira, os americanos concordaram com o empréstimo de 2,5 milhões de doses ao México e de 1,5 milhões de doses ao Canadá.

Reportagens recentes na imprensa americana informam que os EUA possuem um estoque de pelo menos 30 milhões de doses da vacina da AstraZeneca, um número que a Casa Branca não confirma. Em entrevista coletiva, a porta-voz da presidência, Jen Psaki, voltou a dizer nesta semana que há pedidos de uma série de países pelas vacinas, sem revelar quais. O

Brasil é um dos que poderia ser beneficiado pelo compartilhamento de doses, pois já aprovou o uso da vacina de Oxford/AstraZeneca e é considerado internacionalmente como uma ameaça global, em razão do descontrole da pandemia no país./ COLABOROU CÉLIA FROUFE 

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