Brasil cobra 'atitude solidária' com refugiados líbios

Durante reunião da ONU em Genebra, ministra pediu ajuda para os que tentam abandonar a Líbia.

Daniela Fernandes, BBC

28 de fevereiro de 2011 | 19h03

Para a Ministra, decisões devem ter o respaldo internacional

A ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, Maria do Rosário Nunes, cobrou nesta segunda-feira, em uma reunião em Genebra, uma "atitude solidária" em relação aos refugiados da crise líbia e disse ainda que decisões sobre o país devem ter o respaldo da comunidade internacional.

Segundo o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, cerca de 100 mil pessoas que estavam na Líbia já migraram para a Tunísia e o Egito para fugir dos confrontos.

"Sugeri que a questão da migração seja levada em conta pelos países do Conselho de Direitos Humanos da ONU para evitar discriminações, violências e atos de xenofobia", disse a ministra à BBC Brasil.

Ela falou durante a abertura da reunião anual do Conselho no chamado "segmento de alto nível", reservado aos representantes dos governos, no qual também discursou a secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

Onda de refugiados

Países europeus, que já registraram um fluxo de milhares de imigrantes tunisianos após o início dos protestos no país no final de dezembro, temem agora uma nova onda de refugiados que deixam a Líbia.

No domingo, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, alertou sobre as consequências de "fluxos migratórios que se tornam incontroláveis".

A ministra brasileira reiterou que o Brasil privilegia "o diálogo" e vê com "muita cautela" qualquer intervenção externa na Líbia.

"O Brasil é muito reticente e impõe a condição de que isso seja fruto de uma decisão multilateral. Intervenções externas podem ser mais destruidoras do que aquilo que se pretendia destruir", afirmou.

"A proteção dos direitos humanos não pode ser um pretexto para ações unilaterais sem o respaldo da comunidade internacional."

Nesta segunda-feira, Hillary disse, também em Genebra, que estão sendo exploradas "todas as opções possíveis de ações" para pressionar o regime líbio a pôr fim à violência.

O Pentágono anunciou que navios de guerra e aviões americanos estão sendo posicionados nas proximidades da Líbia para caso haja necessidade de acioná-los.

Leia:

Irã

Maria do Rosário disse também que o Brasil ainda não decidiu se vai apoiar uma eventual resolução contra o Irã no Conselho de Direitos Humanos da ONU.

A reunião anual do conselho, iniciada nesta segunda-feira, vai até o dia 25 de março e discutirá, entre inúmeros temas, uma resolução contra o país persa.

"Fizemos a opção de trabalhar nas próximas duas semanas uma agenda bilateral muito intensa. Queremos aprofundar o diálogo em relação ao assunto antes de tomarmos uma decisão", disse.

Segundo a ministra, a previsão é de que a resolução contra o Irã seja votada nas próximas duas semanas.

Nos últimos anos, o Brasil se absteve em votações sobre direitos humanos no Irã. Mas, para Maria do Rosário, caso o Brasil venha a apoiar uma resolução contra o país, isso não representaria uma mudança na política externa brasileira.

"Os direitos humanos no Irã eram sempre discutidos como uma questão subliminar, ligada a outros interesses, de caráter econômico ou político", disse.

Além disso, afirma, "o Brasil sempre defendeu que o assunto fosse discutido em fóruns de direitos humanos, o que não ocorria antes. O Brasil não aprovava (medidas contra o país) por esse motivo."BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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