Brasil concede visto à dissidente cubana Yoani Sánchez

Documento de entrada, porém, não é suficiente para garantir que blogueira e colunista do 'Estado' deixe Cuba

LISANDRA PARAGUASSU / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2012 | 03h03

O governo brasileiro concedeu ontem visto de turista para que a dissidente cubana Yoani Sánchez venha ao Brasil para a apresentação do documentário Conexión Cuba-Honduras, do cineasta Dado Galvão, do qual participa. A estreia do documentário está prevista para o dia 10, na cidade baiana de Jequié.

Yoani, fundadora do blog Generación Y e colunista do Estado, havia pedido o visto em uma carta enviada à presidente Dilma Rousseff na sexta-feira. O visto foi liberado, mas não garante a visita de Yoani. Antes, ela precisa da autorização do próprio governo cubano para deixar o país, o que ela não conseguiu até hoje, apesar das 18 tentativas. "Agora falta o mais difícil, que é conseguir a autorização de saída (de Cuba)", admitiu Yoani ontem no Twitter.

O pedido do visto brasileiro foi uma estratégia da dissidente para pressionar o governo cubano. Yoani havia tentado para vir ao Brasil outras três vezes, uma delas para o lançamento de seu livro De Cuba,com Carinho, mas não chegou a pedir o visto. Tentou antes a autorização de saída, que não conseguiu. O carimbo brasileiro no passaporte torna a negativa cubana menos aceitável. O documento de entrada no Brasil é importante, pois é requisito básico para as autoridades cubanas autorizarem a saída de qualquer cidadão. Em 2008 e 2009, ganhou os prêmios Ortega y Gasset de Jornalismo, da Espanha, e Maria Moors Cabot Prize, da universidade americana Columbia. Mas não teve autorização para deixar Cuba e participar das cerimônias de premiação.

Yoani também pediu, na carta, uma audiência com a presidente durante sua visita a Cuba, na segunda e terça-feiras. A agenda de Dilma em Cuba ainda não está fechada, mas dificilmente ela terá encontros com dissidentes.

Desde a fundação do blog, em 2007, Yoani tem sido constantemente vigiada pelo regime de Fidel e Raúl Castro. Em março de 2008, após ter dado várias entrevistas para jornalistas estrangeiros em Havana, o governo cubano bloqueou o acesso ao blog na ilha.

A manutenção do blog foi possível por meio da cooperação de pessoas e entidades de fora de Cuba, a quem Yoani enviava suas mensagens usando e-mail ou ditando as palavras por telefone. O blog só foi liberado em fevereiro de 2011.

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