Brasil concentra esforços para evitar sanções ao Irã

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, advertiu hoje que o Irã deve cumprir seu compromisso de registrar o acordo de troca de urânio por combustível nuclear, sem novas exigências, até a próxima segunda-feira - o último dia previsto no acerto. Concentrado nos últimos cinco dias no esforço de evitar um recuo do Irã, em função da ameaça de imposição de novas sanções pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, o chanceler telefonou para autoridades de nove países envolvidos nessa decisão. Seu objetivo é evitar a aprovação das medidas.

DENISE CHRISPIM MARIN, Agência Estado

21 Maio 2010 | 18h37

"Eu espero que o Irã entregue a carta à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) não mais do que segunda-feira, como me garantiu o ministro iraniano, e tenho certeza de que a carta virá em termos satisfatórios. Senti a disposição iraniana de negociar", afirmou Amorim, no Itamaraty, referindo-se à conversa que teve ontem com o ministro iraniano de Negócios Estrangeiros, Manouchehr Mottaki.

"Tenho falado com praticamente todos os países, até para entenderem nossa posição. Espero que não cheguemos a uma votação", completou, ao mencionar o processo já em andamento para a aprovação das sanções no Conselho de Segurança.

No último dia 17, quando o acordo de troca de urânio por combustível nuclear entre o Irã e Brasil e Turquia foi oficializado em Teerã, os Estados Unidos anunciaram o aval de todos os outros quatro membros permanentes do Conselho de Segurança a um rascunho de proposta de novas sanções ao Irã. Desde então, o temor de recuo do Irã tornou-se evidente, assim como a resistência dos EUA em acatar qualquer solução que substitua a penalização ao Irã.

Ainda naquele dia, Amorim conversou com a secretária de Estado, Hillary Clinton. Nos dias seguintes, tratou do novo impasse com os chanceleres da Rússia, Sergey Lavrov, da China, Yang Jiechi, da Bósnia, Sven Alkalaj, da Turquia, Ahmet Davutoglu, do Reino Unido, Willian Hague, e com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon. Amanhã, ele telefonará ao ministro de Negócios Estrangeiros da Alemanha, Guido Westerwelle. "Ameaça gera ameaça. E sanções são ameaças. Acho melhor deixar as ameaças de lado e tratar do acordo", resumiu Amorim.

Para Amorim, assim que a carta do Irã for entregue à AIEA, o acordo começará a vigorar. Apenas "detalhes práticos" serão necessários para que o governo iraniano deposite 1.200 quilos de urânio levemente enriquecido na Turquia, em um prazo de um mês, e para que venha a receber, dentro de um ano, 120 quilos de combustível para o reator nuclear de pesquisa de Teerã.

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