Brasil debate acordo militar com Colômbia

Pacto permitirá incursão aérea de 50 quilômetros nos dois territórios

Tânia Monteiro e Roberto Godoy, O Estadao de S.Paulo

12 de março de 2009 | 00h00

O ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, declarou ontem, após se reunir com seu colega colombiano, Juan Manuel Santos, que se os rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) tentarem entrar no Brasil "serão recebidos a bala". Jobim, que já tinha feito advertência semelhante na Colômbia, disse que o Brasil "tem um grande controle sobre sua fronteira terrestre com a Colômbia tanto para reprimir o narcotráfico, quanto o possível deslocamento de guerrilheiros". E acrescentou que "o forte controle terrestre que já existe na fronteira será ampliado com controle aéreo e fluvial".No encontro, Brasil e Colômbia começaram a discutir também a assinatura de um acordo que permitirá que aviões dos dois países façam sobrevoos que ultrapassem 50 quilômetros de suas fronteiras. Pelo acordo, que ainda dependerá de aprovações de ambos os lados, as Forças Aéreas do Brasil e da Colômbia poderão fazer incursões sobre os territórios dos dois países, para executar missões de vigilância.Brasil e Colômbia dividem uma fronteira seca de mais de 1.600 quilômetros, a maior parte na Amazônia. O ministro da Defesa colombiano acusa as Farc de aproveitar-se das dificuldades da selva para proteger-se em países vizinhos.O pacto discutido ontem já existia no tempo de Fernando Henrique Cardoso. Em um exercício em 1999 a FAB lançou napalm sobre um acampamento das Farc em território colombiano, perto da fronteira com o Brasil. A operação estava sustentada por um acordo reservado.

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