Brasil decide destruir mais de 20 mil minas

Pressionado pela comunidade internacional e por organizações não-governamentais (ONGs), o Brasil decidiu destruir mais de 20 mil minas terrestres que possuía no arsenal.Embora integre a convenção internacional de 1997, que proíbe o uso desse tipo de arma, o País ainda mantém 35 mil minas estocadas. A previsão do governo é, depois da destruição, conservar cerca de 14 mil minas, que seriam usadas para treinamento."Não podemos destruir todas (as minas), pois temos de saber como tratá-las caso sejam utilizadas contra nós", afirma um alto militar brasileiro. Ele afirma que, pelas normas do tratado internacional, os países são autorizados a manter minas para treinamento.Segundo o militar, uma das preocupações do País é de que guerrilhas nos países que fazem fronteira com o Brasil se utilizem dessas armas, prejudicando a defesa do território. "Temos de considerar essa hipótese com seriedade", explica.De acordo com o Ministério da Defesa, a destruição das minas será feita por detonação ou pela imersão da arma em água quente. Para a ONG Human Rights Watch, no entanto, mesmo destruindo 20 mil minas, a quantidade que ficará nas mãos do governo brasileiro ainda é alta."Nenhum outro país que assinou a convenção de 1997 terá tantas minas para treinamento como o Brasil", afirma uma porta-voz da Human Rights Watch. "O País poderia fazer mais para destruir suas minas."Mas o Exército garante que, em dez anos, todas as 14 mil minas serão destruídas nos treinamentos. Além disso, o governo argumenta que, desde 1984, não exporta as minas produzidas pela empresas Química Tupan AS e a IBQ Indústrias Químicas.As últimas minas produzidas no País teriam sido fabricadas em 1989. No Brasil, o uso de minas está proibido pela Lei 3.585, de 2001, e o governo garante que não existem minas no território nacional.O País está ainda envolvido na retirada dessas armas em países da América Central e pretende ajudar o governo de Angola a eliminar as mais de 12 milhões de minas no território.

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