Brasil descarta formar grupo para ajudar na crise boliviana

O Brasil descarta a criação de um "grupo de amigos" para ajudar a distender a atual crise boliviana, porque a situação não é comparável à que a Venezuela tinha em 2002, quando foi formado um grupo semelhante, disse neste sábado o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim."Acho que é avançar um pouco o sinal ver a atual situação da Bolívia de forma similar ou parecida com o que era a da Venezuela em 2002, quando tinha ocorrido um golpe de Estado, embora frustrado", disse o ministro a jornalistas em Cochabamba. Amorim lembrou que o Brasil propôs e integrou um "grupo de amigos" para a Venezuela, junto com Estados Unidos, México, Chile, Portugal e Espanha, para ajudar a Organização dos Estados Americanos (OEA) a promover o diálogo entre o governo do presidente Hugo Cháveze a oposição, após o fracassado golpe de Estado. Segundo o ministro de Exteriores, os bolivianos "têm uma forma própria de dialogar, há uma Constituinte, e o diálogo tem que ser essencialmente entre bolivianos". "Em tudo o que possa ajudar ou contribuir para o diálogo, o Brasil sempre está disposto, mas de forma transparente e apenas se o próprio governo (boliviano) considerar assim", acrescentou.Na sexta-feira, ao chegar a Cochabamba para participar da II Cúpula Sul-Americana, Chávez comparou a situação atual da Bolívia com a vivida em seu país em 2001 e 2002, antes do golpe. "Na Venezuela, tivemos um golpe de Estado e uma reação venenosa e cheia de ódio da oligarquia venezuelana, impulsionada pelo impérioamericano", disse. "O que está acontecendo na Bolívia agora se parece com o que começou a ocorrer na Venezuela em 2001 e 2002", disse Chávez, emdeclarações de apoio ao presidente boliviano, Evo Morales.A atual crise boliviana, com greves de fome, protestos, interrupções cívicas e ameaças de cisão regional, foi causada pela intenção dos partidários de Morales na Assembléia Constituinte de aprovar um novo texto constitucional por maioria simples, e não pordois terços, como indicam as leis vigentes. Amorim descartou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva venha a atender os pedidos de audiência feitos por alguns dirigentes da oposição boliviana. "Lula está ocupado aqui em Cochabamba com a ComunidadeSul-Americana, e não acho que tenha tempo para receber os membros da oposição. Há dificuldades na Bolívia, mas é um assunto interno", disse o chanceler.

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