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Brasil deve aumentar opções face à Alca, sugere americano

Jon E. Huenemann, um ex-alto funcionário do escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), sugeriu nesta quarta-feira que o chanceler Celso Lafer utilize a visita oficial de três dias que iniciou nesta quarta a Washington não apenas para avaliar a disposição real da nova administração republicana para tratar das questões comercias que interessam ao Brasil."Creio", disse ele ao Estado, "que o Brasil deve adotar uma linguagem que abra seu leque de opções de forma a incluir a possibilidade de negociar eventualmente um acordo bilateral de livre comércio com os Estados Unidos, isoladamente ou junto com o Mercosul, caso o projeto de criação da Área de Livre Comércio das Américas, a Alca, encontre resistências insuperáveis."Realismo versus ceticismoPara Huenemann, que foi encarregado da América Latina no USTR no início da década passada e é hoje vice presidente da empresa de consultoria GPC Internacional, Lafer deve usar os encontros que terá nesta quinta-feira com o novo chefe do USTR, o embaixador Robert B. Zoellick, "para avaliar se os Estados Unidos estão preparados para lidar com os temas que interessam ao Brasil e fazê-lo de uma forma realista, nas negociações da Alca, pois isso mudaria a dinâmica das discussões".Segundo Heunemann, os repetidos pronunciamentos do presidente George W. Bush em favor da liberalização comercial e algumas declarações mais específicas que Zoellick fez, antes e depois de sua nomeação para o USTR, "indicam que a administração está disposta a enfrentar alguns interesses domésticos para levar adiante sua agenda comercial". Isso, continuou ele, deveria levar o governo brasileiro a buscar uma postura diferente da que teve até recentemente diante da Alca. Segundo ele, a atitude brasileira foi, por um lado, declarar seu ceticismo sobre o real interesse de Washington na Alca, justificado pela ausência de apoio político para a aprovação de um mandato negociador no Congresso americano, e, por outro, usar isso para dificultar as negociações."Isso é uma faca de dois gumes, pois o Brasil não está em posição de impedir a Alca e ficará isolado se a administração Bush conseguir negociar um acordo político e obtiver do Congresso a aprovação de um novo mandato para negociar acordos comerciais".Visita de FHCA política comercial não é o único tópico da carregada agenda de compromissos que o recém-empossado ministro das Relações Exteriores tem em Washington.Seu objetivo principal é preparar a visita de trabalho que o presidente Fernando Henrique Cardoso fará a Washinghton no fim deste mês. Além de Zoellick, Lafer tem encontros confirmados com seu colega americano, o secretário de Estado Colin Powell, com a conselheira de Segurança das Casa Branca, Condoleezza Rice, com o secretário do Tesouro, Paul O, além dos presidentes das subcomissões do Congresso que se ocupam das relações hemisféricas - o deputado Cass Abllenger e o senador Lincoln D. Chaffe.Mas os assuntos comerciais já ocuparam parte importante das conversas preparatórias que o chanceler começou a ter nesta quarta-feira na residência oficial da embaixada do Brasil em Washington, onde está hospedado. Seu primeiro compromisso foi receber o embaixador da Argentina nos EUA, Guillermo Gonzalez. Lafer teve também um encontro com o número dois do USTR na administração Clinton, Richard Fisher, que provocou uma dura reação do ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia, nos primeiros dias de janeiro, depois de classificar de "infantil" a reação brasileira à decisão do Chile de negociar um acordo bilateral de livre comércio com os EUA.ChileEsse acordo foi um dos temas do encontro que Lafer teve no início da noite com sua colega chilena, Soledad Alvear, que estava na Europa quando o chanceler visitou o Chile, no final da semana, e encerra nesta quarta-feira visita a Washington.Na quarta-feira, a ministra chilena indicara que seu país não insistirá na sua proposta de aceleração do cronograma de negociações da Alca, mas continuará a trabalhar para que "elas culminem em 2005". No mesmo dia, Lafer disse em Nova York que o Brasil, que defende a entrada em vigor da Alca um ano depois da conclusão das negociações, está mais preocupado com o conteúdo do que com os prazos. Em tese, a posição brasileira abre a perspectiva de uma aceleração das negociações, se houver um entendimento sobre as concessões mútuas que os países participantes terão que fazer para tornar o projeto realidade.Antes de reunir-se com Lafer, Alvear disse a jornalistas que as conversas que teve com Zoellick e com outros membros do gabinete de Bush deixaram-na "otimista" quanto às chances de o Chile e os EUA concluíram as negociações de um tratado bilateral "ainda este ano".

Agencia Estado,

28 de fevereiro de 2001 | 21h20

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