Brasil deve combater financiamento do terrorismo, dizem EUA

O relatório do governo americano sobre produção e tráfico de drogas diz que o Brasil tem que aumentar o controle sobre o "financiamento do terrorismo" na Tríplice Fronteira, entre Brasil, Argentina e Paraguai. A subsecretária de Estado para a divisão internacional de narcóticos e fiscalização, Anne Patterson, disse que o governo americano tem "informações consideráveis" sobre o financiamento de atividades terroristas na região. "Aquela região é uma área sem governo há muitas gerações, um centro de contrabando e agora está sendo usada para facilitar financiamento ao terrorismo", afirmou ela na entrevista coletiva para anunciar o relatório, elaborado anualmente pelo governo americano. Apesar de o governo brasileiro negar a existência de terrorismo na fronteira, Patterson disse que os Estados Unidos têm informações "muito boas" para afirmar que a região é um foco de financiamento ao terrorismo. "Não posso entrar em detalhes, mas temos confiança nas nossas informações", afirmou. O relatório elogia os esforços do governo brasileiro no combate ao tráfico de drogas no ano passado, e destaca os esforços para combater a lavagem de dinheiro. O ponto fraco, na avaliação do governo americano, é a ausência de uma legislação criminalizando o financiamento do terrorismo. "O governo brasileiro deveria criminalizar o financiamento ao terrorismo como um crime autônomo", diz o relatório. O documento também diz que o Brasil deveria estabelecer controle das transferências de recursos nas áreas de fronteira, principalmente na Tríplice Fronteira. O diretor do Programa das Américas do departamento de combate ao narcotráfico, Abelardo Arias, disse que o assunto vem sendo discutido com o governo brasileiro. ?Temos uma boa cooperação com o governo brasileiro e estamos levando este assunto a eles?, afirmou. ?São três fronteiras, então não é só Brasil, mas o Brasil é parte do problema.? O Brasil também é classificado como um "grande fornecedor de produtos químicos"´ para o refino de coca na região andina. No geral, a avaliação dos americanos é que houve "um avanço significativo na campanha para reduzir a entrada de cocaína e heroína nos Estados Unidos" no ano passado, graças um forte esforço internacional. O relatório mostra que, na Colômbia, a produção de cocaína se manteve inalterada, apesar da redução da área plantada de folha, graças aos programas de erradicação patrocinados pelo governo americano. A subsecretária Patterson considerou o resultado do Plano Colômbia "um sucesso maior do que o previsto" para a Colômbia. Os Estados Unidos também estão preocupados com a Venezuela. Como o Brasil, o país não é um grande produtor de drogas, mas é um ponto de passagem da droga produzida na Colômbia, Peru e Bolívia. Patterson disse que o governo americano está preocupado com a falta de vigilância na fronteira da Colômbia com a Venezuela. "Não queremos que a Venezuela se converta num buraco na estratégia" de combate à droga na região. Na Bolívia, a área cultivada de coca voltou a aumentar pelo quarto ano consecutivo. O relatório alerta para o aumento da influência política dos plantadores de coca no país, com a eleição do presidente Evo Morales (ex-presidente do sindicato dos cocaleiros). Mas o governo americano age com cautela quando questionado sobre a relação entre os dois países com o novo governo. "A nossa relação com o governo de Evo Morales vai depender da postura que ele adotar em várias áreas, incluindo o combate às drogas", afirma Patterson.

Agencia Estado,

01 Março 2006 | 22h26

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