Brasil deve mediar apoio a Havana em cúpula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comprometeu-se com Havana em atuar como uma espécie de ?coordenador? dos aliados de Cuba na 5ª Cúpula das Américas, que será realizada em Trinidad e Tobago, entre sexta-feira e domingo. O pedido foi entregue diretamente a Lula na última quarta-feira pelo novo chanceler cubano, Bruno Rodríguez. O governo de Raúl Castro teme que posições incendiárias da Venezuela e de seus aliados - Bolívia, Equador e Nicarágua - em defesa de Cuba resultem no bloqueio da fresta de diálogo aberta pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

DENISE CHRISPIM MARIN, Agencia Estado

12 de abril de 2009 | 08h00

Essa tarefa deve mudar o comportamento de Lula em relação a sua atuação no encontro de 2005, em Mar del Plata, Argentina. Naquela ocasião, o líder brasileiro instigou e apoiou o projeto de seus colegas venezuelano, Hugo Chávez, e argentino, Néstor Kirchner, de enterrar de vez as negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Com o Brasil movimentando-se com discrição, o trio saiu-se vitorioso. Desta vez, em Trinidad e Tobago, caberá a Lula a missão de tourear o líder bolivariano e seus aliados, com o cuidado de não instigar conflitos.

O temor de Havana é compreensível e sustentado em fatos. No domingo passado, o embaixador venezuelano na Organização dos Estados Americanos (OEA), Roy Chaderton-Matos, exigiu a revisão da declaração final da 5ª Cúpula das Américas, cujo rascunho não traz nenhuma menção à questão de Cuba. A negociação do texto havia sido concluída no início do mês. No mesmo dia, em visita ao Japão, o próprio Chávez exortou os líderes latino-americanos a repudiar, em Trinidad e Tobago, a posição reticente do EUA à reinserção de Cuba no sistema interamericano e à eliminação do embargo econômico. O governo venezuelano convocou ainda, para os dias 14 e 15, em Caracas, uma reunião da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), mecanismo que tem participação cubana, com o objetivo de fechar uma estratégia comum para o encontro com os EUA. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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