Brasil dirá aos EUA que aceita revisão do Tiar

O governo brasileiro concorda com a revisão do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar), para dotá-lo de cláusulas mais eficientes sobre segurança hemisférica, caso o governo do México apresente essa proposta. O recado será transmitido nesta quinta-feira, em Washington, à conselheira de Segurança da Casa Branca, Condoleezza Rice, pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer.Durante o encontro, o chanceler brasileiro deverá tratar de temas como o combate à guerrilha e ao narcotráfico na Colômbia e o possível ataque militar ao Iraque.Firmado em 1947, no ambiente da Guerra Fria, o Tiar conta com cláusulas de proteção mútua em caso de agressão externa sofridas por um dos países da região. Em setembro do ano passado, logo depois dos ataques terroristas aos Estados Unidos, ele foi invocado por iniciativa do governo brasileiro.Na semana passada, o México criticou o tratado, mas ainda terá de cumprir com as obrigações até setembro de 2004. O governo mexicano quer convocar para o próximo ano uma conferência hemisférica sobre segurança, que poderá dar início aos debates sobre a reforma do Tiar. A expectativa do Brasil é que o tratado possa incluir cláusulas mais adequadas para garantir a segurança dos países do hemisfério.A discussão poderá também provocar mudanças na estrutura da Organização dos Estados Americanos (OEA), que já foram sugeridas pelo Peru. A idéia é expandir o conceito da OEA sobre as ameaças à segurança, que também viriam da dificuldade de consolidar a democracia, da pobreza e das exigências de abertura comercial pelas economias menos desenvolvidas.Lafer deverá ainda aprofundar a posição do Brasil em defesa do multilateralismo e da necessidade de fundamentar um possível ataque militar ao Iraque em uma decisão coletiva do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Durante o encontro com Rice, Lafer deverá reiterar a posição contrária a uma intervenção militar do Brasil e de outros vizinhos no conflito entre o governo da Colômbia contra o narcotráfico e a guerrilha. No mês passado, essa hipótese foi levantada pelo governo colombiano e recebeu repulsa do Itamaraty.Embaixadores envolvidos no tema chegaram a comentar, extraoficialmente, que seria absurdo o Brasil fornecer soldados como "carne de canhão" em uma guerra interna de outro país. Além disso, é tradição da política externa brasileira não intervir em problemas internos de outras nações.O chanceler deverá lembrar a Rice que o Brasil continua disponível para participar, como mediador, de uma negociação de paz entre o governo colombiano e a guerrilha. Também se dispõe a fornecer a Bogotá dados do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) sobre tráfego aéreo ilegal na região de fronteira. Lafer permanecerá em Washington até sábado, quando embarcará para Cuba. Denise Chrispim Marin

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