Brasil discute punição mais dura à Síria

O Brasil negocia, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, a minuta de uma resolução que pode levar ao embargo e ao controle da entrada de armas na Síria. Até agora contrário à imposição de sanções, o governo brasileiro avalia que chegou o momento de uma ação mais dura contra Bashar Assad, já que não há demonstrações de arrefecimento da violência no país.

Lisandra Paraguassu / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2011 | 00h00

As negociações no Conselho ainda são incipientes. De acordo com o Itamaraty, é preciso cautela para que a resolução que está sendo analisada e os possíveis embargos não afetem a população civil. Ainda assim, a determinação é tomar uma providência mais forte do que a declaração presidencial aprovada no início deste mês. O foco deve ser o controle de armas.

A intenção é evitar que o Exército sírio, controlado por Assad, tenha acesso a armamentos, reposição de munição e equipamentos. Com isso, violência contra a população em civil pode diminuir. Para o Itamaraty, está claro que, apesar das alegações de Assad de que seu governo está sendo atacado, há violência parte do Exército e não se pode falar em "violência de todos os lados", como quer o ditador sírio.

A mudança da posição brasileira pode facilitar a aprovação de uma resolução que contenha sanções ao regime. Uma resolução precisa ser aprovada por nove dos 15 membros do Conselho de Segurança e não pode ser vetada por nenhum dos cinco membros permanentes. Estados Unidos, Inglaterra e França há muito tempo defendem sanções contra a Síria. Rússia e China até agora afirmavam que vetariam qualquer forma de sanção. A possibilidade de um embargo de armas, no entanto, pode ser suficientemente palatável a russos e chineses. Se não houver uma aprovação, é possível que a medida não seja vetada.

A posição original brasileira, alvo de críticas de ativistas, era de que seria necessário dar um tempo ao governo da Síria para que as reformas que estavam sendo prometidas por Assad fossem implantadas. O ditador sírio disse, diversas vezes, que iria propor eleições gerais e presidenciais até o final deste ano. Há 15 dias, uma missão diplomática integrada por Brasil, Índia e África do Sul foi a Damasco conversar com o presidente sírio, que prometeu o fim da violência. Desde então, mais algumas centenas de pessoas foram mortas e feridas.

À época, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, já demonstrava ceticismo em relação às promessas de Assad. Segundo o chanceler, elas vinham sendo continuamente descumpridas. Ainda assim, o Brasil defendia que se aguardasse mais algum tempo antes que sanções fossem adotadas. O prazo esgotou-se sem que houvesse nenhuma evolução.

Desde o início dos protestos contra Assad, em março, cerca de 2,2 mil pessoas morreram nas mãos das forças de segurança do regime, segundo estimativas da ONU e da oposição.

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