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Brasil distancia-se de China e Rússia e reforça pressão contra Síria na ONU

Sob pressão. Itamaraty apoia convocação de uma reunião do Conselho de Direitos Humanos

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2011 | 03h04

GENEBRA - O Brasil afastou-se ontem da posição de China e Rússia e deu apoio oficial à convocação de uma reunião de emergência da ONU em Genebra para condenar o regime de Bashar Assad na Síria. No início da semana, uma comissão independente da ONU, liderada pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, apresentou o resultado de uma investigação sobre a violência na Síria e concluiu que o regime sírio cometeu crimes contra a humanidade.

O Itamaraty promete elevar o tom das críticas no encontro, que ocorre amanhã no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. Uma resolução apresentada pela UE, à qual o Estado teve acesso, pede que a reunião sirva para aprovar uma condenação generalizada do regime.

A resolução tenta criar condições para que o tema seja alvo de uma nova ação do Conselho de Segurança, em Nova York. O documento, assinado por mais de 20 países, pede que o Conselho atue. Europeus e americanos esperam que isso leve ao endurecimento de posições contra a Síria e a uma nova rodada de sanções.

A resolução pede a entrada de observadores da ONU na Síria para avaliar a situação e frear as mortes. Exige ainda que um investigador permanente acompanhe a situação no país e pede que a ONU "atue para proteger a população", sem especificar como isso ocorreria.

A proposta tem o apoio dos países árabes, de todos os europeus, dos EUA e dos países latino-americanos que fazem parte do Conselho de Direitos Humanos - México, Uruguai e Chile.

China e Rússia reforçaram que serão contra a condenação de Assad amanhã em Genebra. Moscou chegou ontem a sugerir a diplomatas de outros países que as conclusões de Pinheiro não passariam de uma manobra para justificar uma ação internacional contra Damasco.

Mesmo fora do Conselho - em razão da rotação entre países da região -, o Brasil optou por aderir ao pedido de convocação da reunião de emergência. Isso não quer dizer que apoiará tudo que está na resolução. Em Genebra, diplomatas brasileiros admitem que a ordem do Palácio do Planalto é a de elevar o tom de críticas contra a Síria amanhã. O governo brasileiro insiste que é contra uma ação militar e contra o uso das violações de direitos humanos para politizar o debate.

O Brasil defendeu no início do levante que a comunidade internacional não isolasse Damasco, sob o risco de ver a crise se aprofundar. O País absteve-se em votações na ONU que iam nesse sentido. A decisão de Damasco de manter a repressão fez o Brasil optar por um posicionamento mais duro.

Alerta. A Organização da Conferência Islâmica (OCI) advertiu o regime de Damasco de que uma reunião ontem na Arábia Saudita seria "a última oportunidade para resolver o conflito" no país. O ultimato foi lançado pelo secretário-geral da organização, Ekmeleddin Ihsanoglu, durante seu discurso de abertura na reunião com os ministros de Relações Exteriores, à qual compareceu o chanceler síria, Walid al-Moualem. Ele viajou à cidade saudita de Jeddah, apesar da proibição de viagens imposta pela Liga Árabe no domingo.

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