Brasil diz estar engajado no combate à cólera no Haiti

Segundo o governo brasileiro, país está prestando auxílio técnico e enviará suprimentos; surto já matou ao menos 138 pessoas.

BBC Brasil, BBC

22 de outubro de 2010 | 23h27

Hospitais de região afetada estão lotados com pacientes com diarreia

O governo brasileiro anunciou nesta sexta-feira que está ajudando a combater o surto de cólera que já deixou ao menos 138 mortos no Haiti, segundo dados do governo local.

Em nota divulgada pelo Ministério da Saúde e pelo Itamaraty, o Brasil diz estar tomando as providências necessárias para a distribuição de suprimentos médicos, pastilhas para purificação de água, vasilhames, kits higiênicos e soro reidratante.

De acordo com o governo haitiano, mais de 1,5 mil pessoas apresentaram os sintomas da cólera: forte diarreia, febre alta e vômitos.

A nota diz ainda que técnicos brasileiros do Ministério da Saúde estão na capital Porto Príncipe, onde treinam agentes sanitários haitianos e preparam levantamento sobre necessidades de material médico.

Segundo o informe, na próxima semana o Brasil enviará ao Haiti, em voos especiais da FAB, antidiarreicos, sais para reidratação oral e antibióticos, além de luvas e outros materiais descartáveis.

A epidemia está concentrada na região do departamento (Estado) de Artibonite, ao norte de Porto Príncipe.

A cólera é uma infecção intestinal provocada por uma bactéria transmitida por meio de água ou comida contaminada. A origem da contaminação é normalmente fezes de pessoas infectadas.

A doença pode matar rapidamente se não for tratada. O tratamento é feito por meio de reidratação e antibióticos.

Hospitais lotados

A Organização Panamericana da Saúde (Opas) enviou duas equipes para o sul da região de Artibonite, segundo afirmou à BBC um membro da entidade.

Enquanto aguardam os resultados dos testes laboratoriais, as autoridades da Opas e do Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês) atribuem as mortes a "diarreia aguda".

As organizações se dizem preocupadas com a gravidade da epidemia e o alto número de mortes registrado.

"Nada pode ser verificado neste momento. Não temos números, não temos dados epidemiológicos", afirmou o médico Michel Thieren, coordenador da Opas no Haiti.

"O que sabemos é que as pessoas têm diarreia e estão vomitando, e eles podem morrer rápido se não forem examinados a tempo", disse Catherine Huck, vice-diretora da OCHA para o Haiti.

Terremoto

Hospitais no entorno da cidade de Saint-Marc, a cerca de cem quilômetros de Porto Príncipe, estão lotados com pessoas procurando atendimento.

Em alguns deles, pacientes têm sido atendidos em locais como estacionamentos, por falta de leitos. Muitos pacientes estão sendo transferidos para hospitais em outras regiões.

A possibilidade de uma epidemia de cólera era um dos temores gerados após o devastador terremoto que atingiu o país em janeiro. O tremor provocou a morte de cerca de 250 mil pessoas e deixou 1,5 milhão de desabrigados.

Muitas pessoas ainda estão vivendo em campos improvisados, em condições precárias de saneamento e com pouco acesso a água potável. Mas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), não houve epidemias até agora.

Artibonite não foi tão atingido pelo terremoto, mas milhares de pessoas que perderam suas casas nas áreas afetadas estão vivendo em campos de desabrigados ou com parentes na região.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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