Brasil domina tecnologia de enriquecimento de urânio a 20%

BRASÍLIA

Marta Salomon, O Estado de S.Paulo

18 Maio 2010 | 00h00

Atual pivô das pressões internacionais contra o Irã, o enriquecimento de urânio a cerca de 20% é feito no Brasil, no centro experimental da Marinha em Aramar, Iperó (SP). Trata-se de uma unidade piloto, cuja produção destina-se a abastecer reatores de pesquisa e mover futuramente o submarino a propulsão nuclear, além de um novo reator de pesquisa, em fase de projeto.

O temor provocado pela possibilidade de enriquecimento a 20% deve-se, em parte, também a uma questão tecnológica, explica o presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Odair Gonçalves. "O esforço para enriquecer o urânio até 20% é muito maior do que o esforço tecnológico e econômico para passar de 20% a 95%, porcentual necessário para uma bomba", explica.

A tecnologia é basicamente a mesma. O enriquecimento é feito por meio de ultracentrífugas. A tecnologia brasileira, diferente da iraniana, foi desenvolvida pela Marinha e é tratada como segredo industrial, até mesmo para os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica.

A meta do governo brasileiro é dominar o ciclo de enriquecimento de urânio em escala industrial em 2014. O cronograma do programa nuclear prevê a exportação de urânio enriquecido também a partir de 2014.

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