Brasil e Argentina tentam definir salvaguardas

Começaram, nesta quinta-feira, as negociações entre o Brasil e a Argentina para estabelecer um sistema de salvaguardas comerciais entre os dois países. As salvaguardas seriam aplicadas para proteger setores industriais argentinos supostamente atingidos pela desvalorização do real. Segundo um comunicado emitido pela Chancelaria argentina, as salvaguardas que estão sendo definidas nestas rodadas - que se encerram nesta sexta-feira em Buenos Aires -, seriam um mecanismo bilateral e transitório, "destinado a atender situações que requeiram ajustes no comércio intrazona". Entre os assuntos das reuniões desta quinta estiveram a duração das salvaguardas, o âmbito de sua aplicação, as condições necessárias para a aplicação destas medidas e a natureza das mesmas. Estas salvaguardas seriam uma criação própria do Mercosul para suas atuais circunstâncias, mas teriam como "inspiração" as já existentes na OMC. "São uma coisa nova. É preciso definir seu conceito", informaram fontes diplomáticas. No início da reunião, realizada no Palácio San Martín, sede da Chancelaria, o negociador especial do Brasil para o Mercosul, o embaixador José de Botafogo Gonçalves, afirmou aos negociadores argentinos que "compreendia" as dificuldades pelas quais passa a Argentina. Segundo o embaixador, por parte do Brasil existe uma "atitude construtiva para conseguir uma boa solução". Botafogo Gonçalves, que nos últimos anos comandou as espinhosas negociações comerciais com a Argentina, disse aos negociadores locais que em diversas ocasiões anteriores o Brasil foi "muito flexível". Segundo fontes diplomáticas, a intenção do recado era relembrar aos argentinos os abundantes esforços que o Brasil fez nos últimos anos pela Argentina para evitar o agravamento da recessão neste país. Fontes diplomáticas afirmaram que o Brasil "entende que o impacto sobre o comércio decorre do ritmo da atividade das duas economias e não da taxa de câmbio (como alguns setores do governo insistem). Poderiam existir danos setoriais, mas nunca um impacto negativo global que seja decorrente da desvalorização do real". O lado brasileiro das negociações aguarda que nas próximas reuniões o lado argentino apresente dados concretos sobre os danos setoriais. O presidente do Uruguai, Jorge Batlle, declarou em Buenos Aires que "as salvaguardas que estão sendo combinadas entre o Brasil e a Argentina para compensar os desequilíbrios dos câmbios do Mercosul não são um bom instrumento". Fazendo uma metáfora com os avestruzes, Battle sustentou que "ninguém deveria colocar a cabeça sob a terra e dizer que os problemas não existem".

Agencia Estado,

25 Outubro 2001 | 23h33

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