EFE/Joédson Alves
EFE/Joédson Alves

Brasil e Colômbia discutem crise nas fronteiras com a Venezuela

Chanceler colombiana disse que veio ver o que tem feito o Brasil e compartilhar a experiência de seu país, destino da maior parte dos venezuelanos

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2018 | 14h39

BRASÍLIA - Os governos de Brasil e Colômbia trocaram informações nesta quarta-feira, 21, sobre as formas de apoio que cada um tem dado aos imigrantes venezuelanos, durante reunião dos ministros das áreas de Relações Exteriores e Defesa dos dois países. Segundo informou o chanceler Aloysio Nunes Ferreira, foi uma conversa com o intuito de “aprofundar uma cooperação que já existe.”

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A chanceler colombiana, Maria Ángela Holguín, disse que veio ouvir e aprender o que tem feito o Brasil e compartilhar a experiência de seu país. A Colômbia é o destino da maior parte das pessoas que deixam a Venezuela em busca de alimentos, assistência médica e trabalho. 

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Em declaração à imprensa, Aloysio disse que Brasil e Colômbia estão alinhados politicamente e fez votos que a Venezuela retome a via democrática por meio de solução encontrada pelo próprio povo, expressando sua vontade nas urnas.

Os ministros da Defesa do Brasil e da Colômbia assinaram nesta quarta-feira um memorando de entendimento na área de desminagem, outro tópico da relação entre os dois países. Segundo a chanceler, Colômbia já foi o segundo país com mais minas terrestres no mundo. O documento permite aumentar a presença de militares brasileiros no trabalho de remoção desses artefatos.

Aloysio destacou ainda o crescimento de 25% no volume de comércio entre os dois países em 2017. A ideia é realizar um encontro entre empresários do Brasil e da Colômbia para aumentar o intercâmbio.  Ele comentou que, em 2019, os dois terão praticamente uma zona de livre comércio, com a redução a zero das tarifas de importação. Estão em negociação ainda os acordos de proteção de investimentos e de compras governamentais.

A chanceler agradeceu ao Brasil por acompanhar o processo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) - que em 2017 se transformou no partido político Força Alternativa Revolucionária do Comum - e frisou que a cooperação técnica na área agrícola será fundamental para o período pós-conflito em seu país. Brasília ainda participa das negociações de paz do governo colombiano com a Exército de Libertação Nacional (ELN).

Holguín deverá ser recebida ainda nesta quarta-feira pelo presidente Michel Temer. Na semana passada, ele editou um decreto e uma Medida Provisória para ampliar as ações de ajuda aos venezuelanos que ingressaram no Brasil, principalmente pela fronteira com Roraima. 

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